Vazando pelas bordas

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“pessoal, posso ler uma coisa pra vocês?
indiretamente tem a ver cos caras do lago:
‘anos se passam sem que o essencial
seja dito.
mesmo indo de encontro a essa artéria pulsante
a vida parece uma tangente.
acontece até do dizer estar vivo na gente,
contornando nossos olhos na mais íntima expressão
sem que aquilo seja partilhado
ou ainda dizer sem nunca falar
bater na mesma porta
e não conseguir entrar’
isso tava esquecido no bolso da minha jaqueta
e…
enquanto ouvia vocês debaterem, achei
e tive uma sacada ca música dos Eagles,
cos caras do lago e… com o jogo mesmo”
“espera, Humberto,
de quem é esse texto?”
“é meu, tem um tempo que escrevi”
“uau!
tá, continua, porque eu não via a relação
mas gostei muito do texto”
“é
é pessoal.
o lance é que eu nunca consigo dizer o que sinto, preciso ou quero dizer
ninguém tem interesse ou simplesmente não entende
pior
as pessoas não falam sobre isso,
sobre a própria profundidade, saca?
a sensação é que estão todos dormindo
vagando em um pesadelo medonho
eu grito, grito com os olhos e ninguém percebe.
é um espesso, sombrio e solitário véu
que definha a todos nós
aqueles caras lá do lago nos acusaram de arruinar a cidade.
será que alguma vez a cidade foi boa pra eles?
quem manda na cidade tá se f*dendo
pra eles
esse papo de manter a ordem tem a ver com os negócios
lazer e cultura que é bom, nada
no fim, estão
os donos da parada
os caras do lago
e nós
enchendo a cara até apagar,
entende?”