“Vamos torcer para que ele fique preso o maior tempo possível”, diz irmão de vítima

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Vítima de tentativa de homicídio a golpes de faca na madrugada de sábado, 1º de setembro, Gustavo Alex Kullmann dos Santos, 22 anos, está internado em estado grave na UTI do Hospital de Erechim. Ele foi uma das vítimas de Jéferson Leandro da Silva que matou a sua ex-companheira Stéfane dos Santos Gomes a facadas. Ela e Gustavo eram primos e foram atacados por Jéferson quando estavam na residência da vó deles na Travessa Roma no bairro Eugênio Ferreira, em Canela. Stéfane foi a óbito no local dos fatos e Gustavo conseguiu resistir aos ferimentos. Jéferson apresentou na Delegacia de Polícia nesta segunda-feira, dia 3, onde recebeu voz de prisão pelos crimes que cometeu.

“Ninguém poderia imaginar que isso um dia ia acontecer”

“Vamos torcer para que ele (Jéferson) fique preso o maior tempo possível para que pague pelo que fez. A minha prima nunca mais vai estar entre nós, já ele (Jéferson) pode sair da cadeia,” diz Guilherme Kullmann dos Santos, irmão de Gustavo e primo de Stéfane. Guilherme destaca que o assassino não tinha um bom relacionamento com a família de Stéfane. “Ninguém poderia imaginar que isso um dia ia acontecer. Ninguém da família incomodava ele (Jéferson) para ele não incomodar a família,” conta Guilherme.

RECLAMAÇÕES SOBRE SOCORRO E ATENDIMENTO HOSPITALAR

Guilherme também reclama da demora no socorro e no atendimento hospitalar de Gustavo. Para Guilherme, a ambulância do Corpo de Bombeiros chegou ao local do crime, no bairro Eugênio Ferreira, mais de uma hora após ser solicitada via linha de emergência. Guilherme também conta que houve demora na realização de exame de radiologia em Gustavo porque não havia no Hospital de Caridade de Canela (HCC) profissional capacitado para efetuar o procedimento. Além disso, segundo Guilherme o seu irmão teve que aguardar mais de duas horas para ser removido para Erechim porque não havia no HCC técnico em enfermagem para acompanhar o translado conforme determinam protocolos médicos.

CONTRAPONTOS

Responsável pelo trabalho dos Bombeiros de Canela, o 1º sargento Miguel Oliveira de Souza, disse a reportagem que a corporação foi acionada entre 3h20 e 3h30 da madrugada para socorrer Gustavo. Entre a saída da equipe de socorristas, primeiros atendimentos a Gustavo e encaminhamento da vítima para o HCC, foram levados 57 minutos. “Houve um crime. Por vezes devido a protocolo temos que aguardar a presença do policiamento, mas dizer que o socorro levou uma hora acho que foi exagero porque o familiar está sob estresse emocional, abalado, o que é compreensível,” comenta o sargento Miguel.

HOSPITAL DE CARIDADE

Questionada pelo Portal Gramado News sobre as queixas de Guilherme, a direção do HCC encaminhou nota sobre o assunto. Confira as respostas.

Temos no hospital técnicos de enfermagem 24 horas disponíveis para realizar qualquer procedimento, inclusive as transferências, um fator relevante que pode gerar atrasos nos casos de transferência de um paciente para outro hospital é que este, após constatado pelo médico local a necessidade de se locomover a outro centro de maior complexidade, é inserido então na Central de Leitos, seja ela do Estado ou de Caxias do Sul e aguarda a liberação do leito por parte desta central. Analisando o fato juntamente com a equipe médica e de enfermagem que atendeu o caso, o paciente precisou realizar suturas de seus ferimentos para então ser locomovido.

Paciente chegou na madrugada e foi submetido a exames de imagem (Raios-X e Tomografia), por não haver tomógrafo no Hospital de Canela, estes exames foram realizados externamente em uma clínica em que o hospital mantém convênio. Verificados os horários, o referido foi atendido em tempo hábil.