uma nova história de Natal

0
553

canto um
que os anjos do Senhor guiem e protejam esta empreitada!

era uma vez um povo
que havia se esquecido porque o Rabi da Galileia fora morto
todo ano era a mesma sina:
ele renascia para morrer de novo

foi quando uma peste assolou os ares do planeta
e impediu que as pessoas respirassem o mesmo ar

e todos perceberam
que não dividiam o pão
para partilharem essa benção divina – a nossa atmosfera

ora ora
foi quando
meus amigos
uma nova ideia veio a esse mundo

a questão era:
“e se ao invés de esperarmos a Sua volta
nós pudéssemos convidá-Lo em nossos lares?”

a ideia era ir além da oração
até porque nem todos podiam se reunir com uma ou duas pessoas

contudo
aí estava o enigma para a solução

mais alta e mais pesada que todas as montanhas
meus queridos
era a iniquidade em cada coração
iniquidade essa que levaria nosso Senhor Jesus de Nazaré
à cruz
muitas e muitas vezes

os irmãos daquela época se questionavam:
“somos capazes de mover essas montanhas?
convenceremos o próximo a mover sua própria montanha?
devemos salvar Jesus?”

hoje, nós sabemos: a fé foi o primeiro movimento

simples e vigorosa como as parábolas do Cristo
a fabulosa ideia teve ainda um toque brasileiro

ela se chamou Livre da Rua
em homenagem às várias videoconferências que se fazia naquele tempo

se pudesse lhes contar de uma só vez, meus caros, eu diria assim:
era uma mistura de jogo com festa e teatro

essa ideia começou em uma certa cidade
onde se apresentava espetáculos e desfiles natalinos

então
para não aglomerar muita gente
eles inventaram que a cidade toda seria o palco
ora como um enorme tablado
ora como mônadas

em outras palavras
na maior parte do tempo a cidade seria um grande cenário
porém
em certos momentos
se dividiria em pequenos blocos de modo a replicar o mesmo lugar
tal como a colmeia é feita de hexágonos

meus caros
a comoção era inacreditável

imagine pessoas andando por todos os cantos da cidade
tentando desvendar o mistério das montanhas

quando dava o determinado horário
vários telões pela cidade se acendiam
para exibir a peça que acontecia em um determinado lugar
nesse conjunto de mônadas
a história se fazia onipresente

as pistas eram mais que um caça tesouro teatral
ao longo do dia
os visitantes sabiam muito bem o porquê de seus passeios
não se tratava mais de histórias jogadas ao vento
mas de uma jornada na qual pessoas e atores, moradores e visitantes se envolviam
com cuidado e respeito

a Livre da Rua era um espetáculo em tempo real
e o faz de conta fora um jeito de passar pelos muros do medo
num grande passo de formiga

(continua)