“Todos deveríamos nos doar um pouco ao próximo”, diz Carla Feijó

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Carla é formada em Educação Física e trabalha no Centro Esportivo Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal.


Há 37 anos morando em Gramado, Carla Guarnieri Feijó tem 43 anos, é natural de Canoas e trabalha atualmente como treinadora do time feminino de futebol do Clube Esportivo Gramadense. Carla concluiu a faculdade de Educação Física após ficar 23 anos sem estudar e trabalhou voluntariamente treinando um time de futebol feminino. O seu sonho é trabalhar como voluntária com crianças em países pobres.

GN – O que te levou a trabalhar com o futebol e com projeto solidário?

Carla – Na verdade eu sempre gostei muito de trabalho voluntário, desde a minha adolescência e cresci com isto. Me sinto bem fazendo o bem. Eu acho que todos deveríamos nos doar um pouco ao próximo.

GN – Como surgiu a ideia de montar o time de futebol As Soberanas?

Carla – Na verdade eu ganhei o time de presente. Eu levava meu filho para treinar em um projeto de futsal e neste projeto/time algumas gurias treinavam sempre no final dos treinos dos guris. Em um belo dia, o treinador chegou pra mim e disse que a partir daquele dia eu quem iria treinar elas, fiquei super surpresa e elas pularam de alegria, na hora topei! Mas te confesso que fiquei com medo de não dar conta, poque o futebol nunca fez parte da minha vida eu jogava vôlei e handebol, mas pedi a Deus para ele me ajudar e comecei. Participamos do nosso primeiro municipal adulto, perdemos todos os jogos e como eu não tive apoio do treinador e a diretora da escola onde eu trabalhava insistiu para eu colocar o meu próprio projeto, criei coragem e no ano seguinte formei o time Soberanas. Sempre trabalhei com a opinião de todas, inclusive o nome foram elas quem decidiram.

GN – Quais as dificuldades quando se trabalha em um projeto voluntário?

Carla – Com certeza o financeiro, porque nos impedi de fazer muitas coisas, com certeza este foi um dos motivos que me fez aceitar o convite para ir para o Gramadense.

GN – Quais os desafios?

Carla – Com certeza é fazer a diferença na vida deles. Eles estão sozinhos neste mundo, a grande maioria dos pais estão sem “tempo” para os filhos e eu percebo a falta de afeto neles, uma triste realidade.

GN – Como é para ti trabalhar com adolescentes?

Carla – Não tem coisa melhor, e quando eu lembro que fiz a diferença na vida de alguns me dá mais força para continuar. Hoje em dia eles estão soltos para quem quiser pegar, já tive alguns que trouxeram uma “carga grande”, com jeitinho,carinho e amor consegui fazer a diferença.

GN – Como tu sentes sabendo que estás fazendo parte da formação de cada uma dessas meninas?

Carla – Me sinto realizada. Uma vez me falaram que eu era pioneira em Gramado com o futebol feminino, nunca tinha parado para pensar e quando eu vejo meninas que não estão mais jogando com a gente, porque foram morar em outras cidades ou por outros motivos, dando continuidade no futebol e fazendo postagem que estão super bem, meu coração se enche de orgulho. O que me mata é quando mando mensagem parabenizando pela dedicação e tudo mais, logo em seguida vem um baita texto de carinho e reconhecimento, isto não tem dinheiro que paguei.

GN – Quais os outros trabalhos voluntários que tu já fez parte?

Carla – Trabalho no Mais Educação e já faço parte do CPM há mais de 13 anos. Jáá fiz parte de grupos de igreja, comecei a participar deste movimento aqui da Várzea, mas devido a correria, não estou conseguindo participar muito nas reuniões.

GN – Qual o outro ramo que tu trabalha e como conciliar com o trabalho voluntário?

Carla – Faço extra no café da família Foss. Quando queremos algo sempre achamos tempo, mas o bom é que a minha família sempre me apoiou. Meu marido sempre está junto quando possível, minha filha joga no projeto e me ajuda muito com as gurias e meu filho já entrou no ritmo,com certeza isto faz muito a diferença, a união familiar.

GN – Define a Carla:

Carla – Carla é uma mulher guerreira, de fibra, corajosa que não tem medo de ir atrás do que ela quer, mãezona, esposa dedicada, protetora, boa filha, tenho meus defeitos também, brigona, reclama bastante quando as coisa não vão pra frente, sempre me imponho quando não quero algo,tenho minha própria opinião.

GN – Uma mensagem para as integrantes do time As Soberanas:

Carla –Para que elas jamais desistam dos seus sonhos, seja ele no futebol ou em outro ramo. E que principalmente nunca abandonem os estudos, valorizem as pessoas que estão sempre dispostas à ajudá-las e que nunca olhem o próximo por interesse.