“Sou de uma cidade que tem uma Orquestra Sinfônica, isso é muito orgulho”, diz o coordenador da OSG Júlio Wagner

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Júlio Wagner toca um instrumento chamado Oboé. Foto: Arquivo Pessoal.

Bacharel em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Júlio César Wagner tem 38 anos e aos 12, incentivado pela mãe e pelo padrinho, iniciou sua trajetória na área musical. Pai de Carolina e Lucas Matheus e casado com Leonice Herrmann Loesch, o musicista gramadense atualmente é coordenador da Orquestra Sinfônica de Gramado – OSG, que se apresentará na próxima semana no Theatro São Pedro, com o concerto “A Magia de Natal”.

GN – Com quantos anos descobriu que gostava de música?

Júlio – Não venho de uma família de músicos, mas desde criança sempre gostei muito e tive muito incentivo de minha mãe e do meu padrinho João Carlos Rheinheimer (conhecido como Meleiro). Aos 12 anos, o professor Egídio Michaelsen foi até a escola onde eu estudava e convidou a todos os interessados a fazer um teste para entrar para a Banda Municipal de Gramado. Não tive dúvidas, fiz o teste e passei. Tive ótimos tempos na Banda e isso com certeza influenciou muito em minha vida.

GN – Qual o primeiro instrumento que tu tocou? Lembra da primeira música?

Júlio – Meu primeiro instrumento foi o Saxofone Alto. A primeira música foi composta pelo professor Egídio, chamávamos de “Sol, Sol, Mi, Mi”, pois não tinha um título e iniciava com estas 4 notas.

GN – Além da música erudita, já tocou outro estilo musical?

Júlio – Passei muito tempo da minha juventude dedicado ao Rock como guitarrista da Banda DIFUSÃO, aqui de Gramado mesmo. Uma curiosidade, fomos os ganhadores do primeiro Festival de Música de Gramado. Somente aos 22 anos iniciei na música erudita, na qual trabalho até hoje e tenho formação.

GN – Se não fosse músico o que seria?

Júlio – Sinceramente, nunca pensei nisso… vivo a música intensamente a cada dia e sem ela não sei o que eu seria profissionalmente. Trabalhei em muitas profissões antes de me tornar músico profissional, mas foi na música que encontrei um meio de trabalhar realmente fazendo o que me faz feliz.

GN – O que te fez inclinar-te para a música erudita?

Júlio – Tive a oportunidade de conhecer algumas orquestras do estado pessoalmente. Naquele tempo eu tocava Guitarra e Saxofone, mas sempre tive a queda pelos instrumentos de sopros. Ai fiz uma pesquisa de como eu poderia me tornar um músico de uma orquestra. Descobri que necessitava de muito esforço, estudos e dedicação. Tentei tocando Clarinete, mas foi no Oboé que me senti bem, algo despertou em mim… Aquela sensação de “agora sim, finalmente encontrei meu instrumento”. Ai iniciei estudos diários de 6 a 7 horas. Iniciei meus estudos na UFRGS e não parei mais.

GN – Alguns dos eventos que participastes?

Júlio – Participei de festivais de música como Festival Internacional de Música de Jaraguá do Sul (2009 e 2010), Festival de Inverno de Vale Vêneto (2008 e 2012), Festival de Música de Câmara de Caxias do Sul (2009 e 2010), Encontro de Oboé/Fagote da UFSM (2013), Festival SESC de Música de Pelotas (2011, 2013 e 2014) e do Gramado in Concert (2015,2016, 2017, 2018 e 2019). Em 2017, 2018 e 2019 atuou na coordenação de arquivo do Gramado in Concert e também como grupo (quinteto) residente do festival em 2017, tocando em vários pontos turísticos da cidade.

GN – Como surgiu a oportunidade de fazer parte da OSG?

Júlio – Posso dizer com muito carinho, eu estive no primeiro ensaio da OSG… sou um dos músicos fundadores desta magnífica orquestra. Em 2011 fui convidado a participar da Orquestra Sinfônica de Gramado para atuar no cargo de Oboísta. E deste aquele momento até hoje estou trabalhando e colaborando com a OSG. Desde 2017 atuo na Coordenação Geral e como Oboísta. Cada vez mais tenho carinho e afeição por esta orquestra. Somos de uma cidade que tem uma orquestra sinfônica. Isso é um grande orgulho!

GN – Um momento dentro da tua carreira como musicista?

Júlio – O momento mais emocionante da minha carreira foi há poucos meses, foi no inesquecível dia 18 de Julho de 2019, onde tive o prazer de ser o solista do Concerto oficial da Orquestra Sinfônica de Caxias do Sul (OSUCS), orquestra onde atuo como oboísta principal. Ser solista é o ponto máximo de uma carreira profissional. Preparei-me durante três anos para este momento que foi inesquecível. O teatro estava lotado… Toquei o Concerto para Oboé e Orquestra de Richard Strauss (que é uma das obras mais importantes do repertório oboístico) e fui aplaudido de pé pela plateia… Realmente tive que segurar as lágrimas, pois toda minha família estava presente, pessoas que me apoiaram desde criança… Foi um momento na qual levarei na lembrança para toda minha vida.

Não posso deixar de fazer um agradecimento especial a minha esposa, pessoa na qual sempre me apoiou e me ajuda constantemente em todos os momentos… É uma pessoa incrível e uma super mãe…

GN – Um momento especial na tua vida pessoal?

Júlio – Com certeza o ápice da minha vida foi o nascimento da minha filha que eu acompanhei. A gente fez um parto humanizado, foi uma coisa linda que eu me emociono só em lembrar.

GN – Atualmente atua em quais projetos?

Júlio – Atualmente, atuo como primeiro oboé na Orquestra Sinfônica de Caxias do Sul (OSUCS), oboísta integrante do Austro Quinteto de Sopros, professor no Instituto Popular de Arte e Educação de Porto Alegre (IPDAE) e Oboísta/Coordenador Geral da Orquestra Sinfônica de Gramado (OSG).

GN – Qual a expectativa para o Concerto A Magia do Natal, que acontecerá na próxima terça-feira, dia 15 de outubro?

Júlio –A ansiedade é muito grande. Estamos com uma orquestra afinadíssima, já realizamos vários ensaios, temos mais um ensaio amanhã com o grande maestro Linus Lerner, uma pessoa com uma experiência mundial. A nossa expectativa é que será um concerto muito lindo, um dos maiores concertos que a OSG já fez com certeza, dentro do Theatro São Pedro, com muito elenco. Teremos pessoas de Gramado que participarão do elenco, Camerata Hamburgo, Trupe de Natal.. A expectativa é fantástica, fico sem palavras. Eu trabalho muito em cima da OSG, tenho um carinho muito grande por ela e pelos nossos músicos, eles sempre compram a ideia e a gente acaba sempre fazendo um grande espetáculo. A OSG vai dar o que falar, será um concerto belíssimo.