Soprano Carla Maffioletti: dos teatros da Europa, para os palcos do Natal Luz

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10_12_2021_36Natal Luz de Gramado - Nativitaten. Foto Cleiton Thiele/SerraPress


Com carreira internacional construída e praticamente consolidada na Europa, a soprano Carla Maffioletti, está adorando a sua primeira participação no Natal Luz de Gramado.  “Está sendo um momento mágico, ao lado de colegas maravilhosos, em uma cidade encantadora”, afirma a artista que reside na Holanda e já esteve duas vezes em Gramado, participando do Gramado In Concert. Neste Natal Luz, ela participa do Nativitaten – A Criação, como uma das solistas, e integra o elenco da opereta O Primeiro Milagre do Menino Jesus, em que interpreta o garoto Amahl, em torno de quem se desenrola o musical. As duas atrações são dirigidas pelo amigo Linus Lerner, maestro que Carla conheceu quando tocava violão, aos 15 anos, na Capital gaúcha.

Carla nasceu em Porto Alegre e o envolvimento com a música ocorreu de forma natural, já que a mãe era professora de música. “Foi tão natural como aprender a caminhar”, brinca Carla, que sempre buscou aperfeiçoar-se na área com professores renomados como a cantora lírica Neyde Thomas. Graduou-se em violão clássico na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A carreira de cantora começou seis meses após iniciar os estudos, cantando na produção operística da Companhia de Ópera da PUC. “Logo me vi no palco com figurino, maquiagem e orquestra”, relata Carla. Mais tarde, em um master class, obteve bolsa para três universidades. Optou pela Holanda pelo alto nível musical e pelo fato da Europa ser o berço da ópera. “Queria aperfeiçoar este lado operístico”, afirma. Em 2002, após concluir o mestrado, foi aprovada já na primeira audição da Orquestra de André Rieu, uma das mais famosas do mundo. Por 14 anos, com duas interrupções para outros projetos, ela gravou CDs e DVDs e fez turnês com a orquestra pelo mundo.

Inquieta como ela mesmo se define, em 2014, Carla Maffioletti decidiu se despedir da Orquestra e enfrentar novos desafios pela Europa. Cumpriu, então, contrato em um teatro na Suíça e atuou em diversos concertos, como convidada.

Musicalmente, Carla diz que aprecia tudo. “Não gosto de fazer a mesma coisa por muito tempo”, comenta. Durante o período da pandemia, ela escreveu a sua própria ópera, que deve estrear em agosto no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, e depois fazer apresentações na Holanda e em outros países da Europa. Intitulada “Pássaro do Paraíso”, a ópera tem uma mensagem ecológica, contando a história de um pássaro que perdeu as forças de voar porque a floresta queimou e precisava de uma nova casa. São três personagens, além de coral e orquestra. “Vai ser uma nova aventura para mim”, afirma.

Para estes novos desafios, Carla está recarregando as energias em Gramado e no Natal Luz. “Estou num momento tão feliz na minha carreira, estou tão apaixonada por Gramado.

Estou encantada com a cidade, me sentindo como a menina que voltou pra casa. A cidade é mágica. Estou amando demais participar do Natal Luz. É um mega evento, lindíssimo, de alto nível, com pessoas e colegas maravilhosos”, afirma a artista. Ela elogia, ainda, o espaço que a cidade está dando à classe artística através dos espetáculos do Natal Luz. Ela comemora também, a oportunidade que está tendo de se apresentar com a Orquestra Sinfônica de Gramado. “Isso também deve ser comemorado. São poucas as cidades que conseguem manter uma orquestra deste nível”, afirma Carla.

“Me sinto privilegiada de estar aqui. Pois na Europa estava tudo fechado ainda. Os concertos estão reduzidos e eu estava com uma sede de voltar ao palco. Estar aqui parece que foi um renascimento, uma chance de poder voltar aos palcos”, comenta a artista.