Seminário Educação Sem Machismo acontece em Gramado dia 22 de setembro

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Diversos estudos comprovam que o investimento em educação é a maneira mais eficiente na luta contra a violência de gênero. Desta maneira, o Gabinete da Primeira-Dama de Gramado, engajado na erradicação da violência contra a mulher, traz para a cidade, na próxima sexta-feira, 22 de setembro, o seminário Educação Sem Machismo, que ocorre pela manhã e tem início às 8h com credenciamento dos participantes. A abertura oficial do evento acontece às 8h30min, com a participação especial de Barbara Penna e Manuela D’Ávila, duas importantes expoentes na luta pelo fim da violência contra a mulher.

Barbara Penna, presidente do instituto que leva seu nome, foi vítima de um dos casos mais brutais de violência contra mulher registrados em nosso país. Além de Bárbara, a Procuradora Especial da Mulher e deputada estadual Manuela D’Ávila irá conversar com os presentes sobre a concepção do projeto, que é direcionado aos educadores das redes estadual, municipal e particular, e visa debater caminhos para combater a violência de gênero, a partir da reconstrução e transformação de ideias pré-concebidas já estabelecidas desde a infância.

Após a abertura do evento, quatro professoras com extensos trabalhos na área de combate à violência de gênero, darão palestras simultâneas aos presentes. São esperadas mais de 1 mil pessoas no evento, que será um marco na cidade de Gramado. Estão confirmados participantes dos municípios da região, dentre eles, Canela, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula.

As inscrições são limitadas e gratuitas, e devem ser feitas pelo site www.seminarioeducacaosem.eventize.com.br, no qual o participante fará a escolha da palestra de seu interesse.

Educação Sem Machismo é uma iniciativa da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, e conta com o apoio da ONU Mulheres e PLAN Brasil. Em Gramado, a realização do evento é do Gabinete da Primeira-Dama e Ceratti Eventos, com patrocínio de Eventize, Universidade de Caxias do Sul (UCS Campus Universitário da Região das Hortênsias), Chocolates Lugano e Resgate Weber.

Confira os temas abordados nas palestras

 “Escola sem machismo: aspectos históricos e atuais para uma prática pedagógica promotora da igualdade de gênero”, com a professora Natália Pietra Mendéz

Ministrada pela professora Natália Pietra Mendéz, a palestra “Escola sem Machismo” propõe um debate sobre a forma como a escola pode contribuir para promover uma educação voltada à equidade de gênero através de dois eixos: a) relações humanas dentro da escola; b) o gênero nos currículos ao longo das diferentes etapas da escolarização.

Esta proposição acompanha as recomendações para a educação elaboradas pela Organização das Nações Unidas (ONU): a meta para a Agenda 2030 é que os países membros garantam ambientes de aprendizagem seguros e não violentos, inclusivos e eficazes, além da promoção da educação para a igualdade de gênero e os direitos humanos.

De acordo com um relatório da ONU, 246 milhões de meninos e meninas já foram vítimas de diversas formas de violência de gênero que ocorre dentro das escolas e que pode ser tipificada como assédio verbal e sexual, punições físicas, homofobia, bullying e abuso sexual.   Esta e outras pesquisas desenvolvidas por órgãos nacionais e internacionais indicam que gênero é uma discussão fundamental das relações de poder, funcionando como um importante marcador social dentro e fora da escola.

A palestra abordará aspectos históricos e conceituais relacionados a gênero e educação, além de algumas sugestões sobre como trabalhar com este tema na escola e nos currículos.

Natália Pietra Mendéz é professora do Departamento de História, do Mestrado Profissional em Ensino de História (PROFHISTÓRIA) e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

“Desconstrução, Papéis Sociais e Estereótipo de Gênero na Sociedade Atual”, com a professora Marta Nunes

A professora adjunta da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), Marta Nunes, fará uma abordagem inicial sobre as construções sociais e os estereótipos que atingem as mulheres, em especial as negras, normalmente “destinadas” a execução de trabalhos braçais ou, ainda, vistas apenas como objeto de desejo masculino (hiperssexualização).

Além disso, Marta, que atua em ensino, pesquisa e extensão nos cursos de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Engenharia de Bioprocessos, pretende abordar questões sobre o feminismo negro, violência física e psicológica contra a mulher e as intersecções do racismo e machismo na sociedade, escola e academia, e como estas construções não apenas influenciam, mas determinam as escolhas profissionais de meninas em todo o mundo.

Na ocasião, os estereótipos do que é ser mulher em uma sociedade patriarcal e machista, bem como as construções que nos perseguem durante a vida inteira serão confrontados com dados e percentuais de mulheres (brancas e negras) que acessam as áreas de ciências na formação superior e no mundo do trabalho.

“Porque discutir gênero e diversidade na escola”, com a professora Jane Felipe

Conforme a professora titular da Faculdade de Educação da UFRGS, integrante do GEERGE – Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero – e fundadora e integrante do GEIN – Grupo de Estudos em Educação Infantil e Infâncias, Jane Felipe, a escola é um espaço de aprendizagem e produção do conhecimento e como tal, deve ter o compromisso em abordar todo e qualquer tema do interesse dos/as alunos/as, promovendo também o respeito às diferenças e a formação de sujeitos éticos, rechaçando toda e qualquer forma de violência.

Jane explica que para melhor compreender o tema da diversidade é necessário conhecer como se constroem os scripts de gênero e sexualidades na infância, através dos inúmeros discursos presentes na cultura. “Para tanto, pretende-se discutir e aprofundar tais conceitos, ressaltando sua importância na contemporaneidade, em especial no que se refere ao papel da escola e à formação docente mais qualificada, a partir das teorizações dos Estudos Culturais, analisando diversos artefatos culturais, a saber: livros voltados para o público infantil, filmes, brinquedos, jogos online, publicidade, entre outros”, relata a professora, que afirma que cabe analisar o reiterado processo de erotização dos corpos infantis, discutindo o conceito de pedofilização como prática social contemporânea.

“Sistemas de Opressão e Educação – desconstruindo estereótipos de gênero”, com a professora Adriana Souza

Coordenadora da Diversidade Sexual do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania, a professora Adriana Souza traz para Gramado a palestra: Sistemas de Opressão e Educação – desconstruindo estereótipos de gênero.

De acordo com Adriana, vivemos uma sociedade que cada vez mais evidencia um crescimento das violências contra mulheres, um reforço do machismo e do patriarcado que promove inúmeros estereótipos de gênero. “As construções sociais destes são absorvidas e reforçadas pelo sistema capitalista que visa perpetuar os espaços consolidados de homens e de mulheres na sociedade. E a Escola tem um papel primordial de desconstrução destes estereótipos”, explica a professora, que completa: “principalmente, quando se quer e pensa em uma educação que liberte, transforme e forme cidadãos conscientes e críticos que a mesma esteja atenta a seu fazer pedagógico para não reforçar a opressão sobre estes indivíduos em desenvolvimento que tanto absorvem dentro do convívio escolar”.

SERVIÇO

Seminário Educação Sem Machismo – edição Gramado
Data: 22 de setembro
Local: ExpoGramado (Avenida Borges de Medeiros, 4111 – Centro)
Credenciamento às 8h
Abertura oficial às 8h30min
Encerramento às 12h
Inscrições gratuitas no site www.seminarioeducacaosem.eventize.com.br