Secretaria da Educação de Canela promoveu pesquisa com a comunidade escolar

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A Secretaria de Educação, Esporte e Lazer de Canela realizou de 9 a 23 de abril, uma pesquisa que obteve 1539 respostas, sendo 1191(77,4%) respondidas online e 348(22,6%) respondidas via papel.

No questionário que indagou o número de crianças matriculadas na rede pública de ensino morando na casa se constatou que na maior parte dos casos 812 (52,8%) há apenas uma criança matriculada na rede pública na casa, 513(33,3%) tem dois estudantes, 154 (10%) 3 estudantes e em 57 (3,7%) casas mais de estudantes.

Se possui computador disponível para as aulas online, 1140 (74,1%), os alunos não possuem computador disponível para as aulas online, 363 (23,6) têm um computador, 27 (1,8) têm 3 computadores e 2(0,1%) têm mais de 3 computadores disponíveis.

Em relação aos smartphones, a pesquisa revelou que na maior parte dos casos, 873 (56,7%), o celular utilizado para as aulas online pertence aos pais, 395 (25,7%) possuem celulares próprios, 175 (11,4%) celular dividido com outro estudante e 93 (6,0%) não possuem celular.

Em relação ao acesso à internet, 961 (62,4%) possuem internet banda larga (ilimitada) em casa, 330 (21,4%) possuem internet com a tecnologia 3G, 170 (11%) internet com tecnologia 4G e 71 (4,6%) não possuem nenhum tipo de acesso à internet.

Quando perguntados se o aluno consegue fazer as atividades remotas, a maior parte dos estudantes, 812 (52,8%) somente consegue realizar as atividades remotas que são entregues semanalmente nas escolas, 710 (46,1%) conseguem realizar as atividades postadas pelo whatsApp ou no site criado pela SMEEL (educacanela.com) e 15 (1,0%) não conseguem realizar as atividades.

Outro assunto foi se o estudante possui local apropriado para os estudados, 688 (43,4%), não possuem um espaço apropriado para a realização das atividades escolares, 155 (10%) possuem um espaço apropriado, porém dividido com outros estudantes e 716 (46,5%) possuem espaço próprio para a realização dos estudos.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, a professora Janete da Silva Santos, secretária da Educação, professor Rafael da Silva Cardoso, secretário Adjunto da Educação e o professor doutor Eduardo Mundstock, os resultados mostram que a maior parte dos estudantes somente consegue acompanhar as aulas remotas com material impresso e via celular. Como mais de 70% dos estudantes não possui computador, plataformas e materiais que sejam dependentes deste tipo de tecnologia precisam ser adaptadas para nossa realidade.

Outra realidade a ser observada é de que somente 25% dos estudantes possui smartfone próprio, e maior parte utiliza o celular pertencente aos pais ou responsáveis, com isso a utilização de aulas longas de sejam baseadas neste tipo de dispositivo também devem ser evitadas. Ou seja, sugerimos a utilização somente de vídeos curtos com instruções ou vídeos de apoio, que não sejam essenciais para a execução das atividades, ainda mais sabendo-se que quase 40% dos estudantes somente possui internet via celular, o que limita a utilização devido ao limite de dados que os planos de internet deste tipo possuem.

O afastamento dos estudantes das escolas tem um efeito deletério na escolarização de todos os indivíduos, mas este efeito é ainda mais dramático em estudantes de comunidades carentes.

A UNIFEC, chama a atenção de que todos os esforços devem ser feitos para que as escolas se mantenham abertas, ou que elas devem ser priorizadas nos esforços de reabertura. Segundo a entidade, os custos educacionais da pandemia foram devastadores, afetando de maneira bastante grave as habilidades de matemática, leitura e escrita. O Brasil é um dos países em que o fechamento das escolas está mais prolongado, completando mais de 46 semanas.

Segundo a UNESCO, o papel da escola na vida dos estudantes vai além da educação. A entidade defende que ela também é responsável pela socialização, alimentação e cuidado e que quanto maior a vulnerabilidade social do estudante, mais importante é o papel da escola nestes 3 últimos itens. Além disso, estudos mais recentes mostram evidências de que crianças (principalmente abaixo dos 10 anos) têm baixa 9 possibilidades de ter a COVID de forma grave e, se infectados, têm baixa taxa de transmissão, desde que respeitados os protocolos de higiene, distanciamento e uso de máscara. Existem também evidências de que, além do atraso educacional, a atual geração tem um risco grande de passar por uma pandemia de inatividade física, miopia e de problemas neurológicos, derivados do excesso do uso de telas.

Com base nos resultados da pesquisa e no papel fundamental que a escola exerce na vida das crianças em idade escolar acreditamos que deve ser dada absoluta prioridade ao retorno das aulas presenciais, ainda que no modelo híbrido e seguindo todos os protocolos previstos.

A secretaria de educação de Canela entende que é preciso avançar na área de tecnologias no ambiente escolar. Dentro desta perspectiva, está providenciando a instalação de rede wiffi em todas as escolas municipais de ensino fundamental, e ainda neste ano, será realizada uma formação com os professores para o uso de tecnologias.

“Precisamos estar prontos para o ensino híbrido ou até mesmo para a possibilidade do ensino remoto, porém entendemos que antes de implementar novas tecnologias é necessário preparar nossos alunos e professores e a pesquisa mostrou-se importante para identificarmos os pontos que precisamos avançar”, ponderou o secretário adjunto de Educação, Rafael Cardoso.