“Se você realmente quiser, você também pode “tocar” a vida de outro alguém”, diz a presidente da AMAE Ellis Chaves

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Atualmente Ellis é Presidente da Associação Materna de Apoio e Empreendedorismo - AMAE. Foto: Arquivo Pessoal.

Natural de Cachoeira do Sul/RS, Elisandra Teresinha da Silva Chaves, tem 41 anos e é mãe de três filhos: Júlia, Samuel e Olívia (que está quase chegando). Ellis, como é comumente chamada, mora em Gramado há 10 anos, adora estar com a família e trabalhar voluntariamente. O amor pelo voluntariado e a preocupação pelo bem estar do ser humano fez com que criasse a Associação Materna de Apoio e Empreendedorismo – AMAE que já existe há quatro anos.

GN – Quem é a Ellis?

Ellis A Ellis é uma grande idealista. Do tipo de pessoa que acredita que melhor que apontar algum problema é agir para achar a solução.

GN – Porque vieste morar em Gramado?

Ellis – A primeira vez que visitei Gramado, me apaixonei. Saí daqui com a certeza que queria ficar. E como muitos que vem de fora, vim pensando na qualidade de vida, e estou aqui já fazem 10 anos. Minha atuação como voluntaria- uma vontade que sempre houve-, se tornou aqui uma forma de agradecimento a esta cidade que tão carinhosamente acolheu a mim e minha família.

GN – Qual tua maior realização até hoje?

Ellis – Me sinto plena e realizada quando olho para a família da qual faço parte, é um grande presente de Deus. Meu esposo e meus filhos são meu alicerce, minha fonte de inspiração e energia que se renova. Minha família é meu apoio, meu porto seguro, onde sou sempre acolhida e amada. Dentro dela não me falta nada!

GN – Fale um pouco da sua vida profissional?

Ellis – Por mais de 20 anos trabalhei na área comercial, mas o que eu gosto mesmo é de desenvolver projetos, sejam eles sociais, de empreendedorismo ou pessoais. Nos últimos quase 4 anos, tenho trabalhado de forma voluntária à frente da AMAE – Associação Materna de Apoio e Empreendedorismo, desenvolvendo e executando projetos que buscam trazer melhoria para a comunidade.

GN – Como surgiu a ideia de montar a AMAE?

Ellis – Criei a AMAE em 2015, quando estava vivendo aquela fase da maternidade onde temos que optar entre voltar ao trabalho (pelo sustento da família) ou estar presente em casa com nossos filhos (porque eles precisam de nós, especialmente durante a primeira infância). Essa fase é um grande dilema para muitas mães, e seja qual for a nossa escolha, ela sempre vem acompanhada de alguma culpa. Como mãe, tentamos ser sempre o melhor que podemos, entre erros e acertos.

GN – Qual o propósito da Associação?

Ellis O propósito da AMAE sempre foi o de buscar ajudar, sem julgar. Ajudar levando apoio e informações, ajudar criando oportunidades, como fazemos no projeto Mães que Criam – que estimula o empreendedorismo através do artesanato como fonte de renda, que já auxiliou de alguma forma mais de 160 mulheres através de oficinas, palestras e oportunizando espaços para a comercialização dos seus produtos e o projeto Todos pela Educação, que está no seu terceiro ano e neste período teve mais de 400 mulheres inscritas buscando uma oportunidade para concluir o ensino fundamental e médio. Em novembro deste ano, a AMAE completa 4 anos desde sua primeira atividade, e ao longo destes quase 4 anos desenvolvemos e apoiamos dezenas de atividades como palestras, oficinas, workshops, feiras, rodas de conversas e outros eventos, sempre com o objetivo de somar de alguma forma dentro da nossa comunidade.

GN – Qual a maior dificuldade que as mães enfrentam atualmente?

EllisSempre haverá muitas dificuldades dentro da maternidade, mas olhando aqui para dentro da nossa cidade, eu percebo que a maior dificuldade que nossas mães enfrentam é a tristeza de não poder se fazer mais presente na vida de seus filhos. E o que eu penso não está abrindo precedente para julgamentos ou culpas, apenas para reflexão. A ausência na grande maioria das vezes é questão de necessidade, sobrevivência. Vivemos em uma cidade turística, que nos oferece “qualidade de vida” para bem criarmos nossos filhos, mas isso tem um custo.

GN – Um sonho?

Ellis – Sobre sonhos e projetos para o futuro, tenho muitos, e creio que todos vão se realizar no tempo certo. E como a vida está sempre em movimento, é preciso estar atenta e ir adequando cada um deles as novas realidades e possibilidades que vão surgindo.

GN – Uma frase?

Ellis – Não importa o quão curto o teu tempo possa parecer. Se você realmente quiser, doando-se um mínimo que seja, você também pode “tocar” a vida de outro alguém.

GN – Se pudesse mudar algo, o que mudaria?

Ellis – Mudaria esse mundo tão dividido, repleto de injustiças e desigualdade. Vivemos em um país tão rico, e com um grande número de pessoas vivendo à beira da pobreza e miséria absoluta. Nestas horas de reflexão, gostaria de ver as pessoas mais preocupadas com políticas públicas, com soluções acessíveis, mas percebo que muitas pessoas se preocupam mais com coisas banais, do que com a realidade que as rodeiam.