Sargento Nélson às suas ordens!!Bombeiro completa 40 anos de carreira

0
2406
Sargento Nélson ingressou no Corpo de Bombeiros em 1978 e nesta quarta-feira, 6 de junho, completou 40 anos de corporação. (Fotos: André Aguirre

Seis de junho de 2018, é uma data especial para o Corpo de Bombeiros de Gramado, principalmente para o 2º sargento Nélson Fagundes, 59 anos. O militar completou 40 anos na atividade como bombeiro. Natural de Erechim, Nélson ingressou na corporação em 6 de junho de 1978, em Caxias do Sul.

Na sua carreira, o sargento também trabalhou em Erechim, Vacaria e desde 1992 (há 26 anos) atua em Gramado. Nélson esteve na linha de frente do combate a incêndio de 1978 à 2004, mas desde 2008 devido a um problema de sensibilidade em uma das pernas, vem exercendo as funções de telefonista e rádio operador do quartel.

O sargento explica como completou quatro décadas na profissão de bombeiro. “Cuidando do físico e da parte mental se vai longe. O psicológico é complicado, se conseguimos dominar o psicológico, é possível dominar todas as situações,” frisa Nélson.

Morador do bairro Várzea Grande, o sargento acompanhou a evolução do Corpo de Bombeiros em Gramado. É um dos remanescentes que atuaram no antigo quartel da corporação que ficava na Rua Madre Verônica, próximo ao Hospital Arcanjo São Miguel.

Um veterano de conduta exemplar

Nélson é descrito por seus colegas de farda com um servidor exemplar. “É muito bom trabalhar com ele. Já se vão 23 anos que trabalhamos juntos,” elogia o 3º sargento Claudiomiro Nardes dos Santos. “Ele é um cara que está sempre alerta, prestativo, é um profissional exemplar que serve de modelo. Que os colegas novatos possam se espelhar na conduta do veterano (sargento Nélson),” ressalta Nardes.

Coragem é qualidade primordial de um bombeiro

Após atingir 40 anos salvando vidas, Nélson resume o que é necessário para ser um bom profissional na sua área de trabalho. “O bombeiro para ele ser um herói não precisa usar capa, o bombeiro para ser herói não precisa usar máscara, o bombeiro para ser herói não precisa usar roupa de ferro, o bombeiro para ser herói não precisa de super-poderes, o bombeiro para ser herói só precisa de uma coisa: CORAGEM,” finaliza Nélson.

Lembranças que marcaram uma carreira de quatro décadas

São Muitas as lembranças de Nélson relacionadas ao seu trabalho nestas quatro décadas de serviços prestados aos bombeiros e as comunidades por onde passou. O sargento tem guardado na sua memória o dia em que participou do socorro às vítimas de um acidente veicular envolvendo um caminhão de lixo. O veículo tombou no bairro Moura, em Gramado. Nélson acabou socorrendo com vida o motorista do caminhão, porém, o servidor municipal acabou falecendo devido a gravidades dos ferimentos que sofreu. “Nessa situação fiz tudo o que pude e fiquei arrasado porque ele (motorista) morreu,” lamenta.

Outra recordação que Nélson destaca foi quando ele juntamente com seus colegas de trabalho em Erechim atenderam a uma ocorrência de incêndio no município de Gaurama. Na época, Nélson combateu por 72 horas seguidas as chamas que tomaram conta de uma ervateira. “Eram 18 toneladas de erva mate queimando,” lembra ele.

Um terceiro fato marcou a vida e a carreira profissional de Nélson. Em 1981, na sua cidade natal, o sargento integrava a guarnição que atendeu uma chamada de emergência onde um Chevette tripulado por uma mulher (mãe) e um menino de cinco anos (filho) havia tombado em uma estrada.

Emoção ao lembrar da homenagem

No acidente, com experiência e habilidade Nélson conseguiu entrar no carro e retirar a mãe com vida. Ela sofreu lesões no braço, na cabeça e fraturou uma das pernas. Mas a criança que se chamava Fernando não resistiu ao impacto do acidente e veio a óbito. “A mulher só falava no filho, vou morrer e não vou esquecer disso,” afirma o sargento. “Fui visitar ela no hospital enquanto ela se recuperava. Passado um tempo, ela teve outro filho e me homenageou batizando a criança de Nélson Fernando,” conta o sargento com voz embargada.

Sargento atua em Gramado há mais de 20 anos.