São Miguel está próximo de ser vendido. Há três grupos interessados na compra do hospital

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Foto: Internet.


A venda do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), de Gramado, está em vias de ser concretizada. Ao menos essa é a perspectiva do prefeito da cidade, Fedoca Bertolucci (PDT), com base em informações extraoficiais que ele recebeu nos últimos dias. “Está próximo de ser vendido, mas essa é uma impressão que eu colhi, mas posso estar enganado. É uma expectativa pessoal minha de que o hospital seja vendido até o final de setembro,” declara Fedoca.

O Poder Executivo tem acompanhado as negociações que estão sendo capitaneadas pela Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas), de Santa Maria, entidade mantenedora do HASM. O hospital é uma entidade privada, pode ser vendido pela proprietária a quem quiser e pelo que bem entender. A intervenção tem como alvo a gestão da casa de saúde e não a propriedade do bem,” esclarece Fedoca.

Não podemos influenciar na compra e na venda de uma entidade privada, mas a Prefeitura acompanha os passos da venda para que não sejam comprometidos os serviços públicos do hospital e o atendimento à comunidade. Isso para que os possíveis compradores tenham um bom comportamento, sob pena de haver uma nova intervenção,” afirma chefe da administração municipal.

São Miguel poderá ser vendido por R$ 15 milhões

Sobre as cifras envolvendo a eventual negociação do HASM, Fedoca revela que não sabe do preço definitivo pelo qual a casa de saúde poderá ser vendida, porém informalmente soube que o São Miguel poderá ser vendido pela Sefas por R$ 15 milhões. “Nunca se comentou em preço, a Prefeitura quer saber é da idoneidade dos compradores para que seja evitada outra intervenção”, frisa o prefeito.

Fedoca confirma que tem conhecimento de que três grupos manifestaram interesse na aquisição do estabelecimento. Entre os possíveis compradores, segundo ele está um grupo local de médicos, um instituto de saúde com sede em São Paulo e outra instituição com matriz em Goiás.

De acordo com o presidente da Comissão Interventora, Jeferson Moschen, representantes do instituto paulista inclusive já realizaram visitas técnicas ao São Miguel.

O advogado da Sefas, Rodolfo Gehlen de Brito, informou que não está autorizado a passar informações sobre o assunto. “Isso não impede que mais tarde possamos falar alguma coisa, mas seguindo a cadeia de comando, cabe ao Executivo municipal se manifestar sobre uma possível venda,” declarou Rodolfo.

Sefas comprou por R$ 10, 8 milhões

O São Miguel está sob intervenção administrativa da Prefeitura desde 29 de fevereiro de 2016. Há oito meses, o estabelecimento vem operando no vermelho.

O deficit acumulado é de R$ 1,8 milhão. Na sexta-feira, 25 de agosto, o governo gramadense renovou pela quarta vez a intervenção prorrogando-a até 21 de fevereiro de 2018. “Mas isso não quer dizer que a intervenção não pode ser levantada conforme a venda do hospital avance,” destaca o secretário de Saúde, João Teixeira (PMDB).

Segundo ele, a possibilidade de venda da casa de saúde vem sendo considerada, mas as tratativas do eventual negócio estão sendo comandadas exclusivamente pela Sefas. “O direito de propriedade sobre o hospital é da Sefas,” diz Teixeira.

A Associação Franciscana adquiriu o São Miguel da antiga mantenedora da casa de saúde em 31 de outubro de 2013, por R$ 10, 8 milhões.

R$ 8,2 MILHÕES EM REPASSES

Conforme levantamento da Secretaria Municipal de Administração, de 1º de janeiro a 5 de julho deste ano, o Hospital Arcanjo São Miguel recebeu R$ 8.206.620,26 em recursos.

O valor corresponde a R$ 1,5 milhão em empréstimo, R$ 3.060.882,90 da Prefeitura, R$ 895.500,00 do Estado, R$ 2.509.776,95 da União, sendo que os três repasses foram feitos por contrato de prestação de serviços.

A casa de saúde também teve depositado em seus cofres R$ 240.460,41 de outros municípios. Quanto aos empréstimos de R$ 1,2 milhão, o São Miguel já pagou R$ 545.454,55 (5 parcelas de 11) e do de R$ 300 mil já foi quitado R$ 50 mil (uma parcela de 6).

MENOS DINHEIRO EM 2016

No mesmo período em 2016, o São Miguel recebeu R$ 5.133.915,97 em recursos. O montante refere-se a R$ 400 mil (empréstimo), R$ 2.534.992,89 da administração municipal, R$ 398 mil do Executivo gaúcho, e R$ 1.800.923,08 do Governo Federal. As receitas das três esferas públicas também foram geradas a título de contrato de prestação de serviços.