Reviravolta do Futuro

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ela buscava completar o tempo todo.
Maria Isis vivia sozinha,
brincando em casa ou no quintal
seu irmão estava ausente, mas se estivesse em casa
não mudaria muita coisa
Suas histórias que tanto gostava de inventar,
ninguém queria ouvir.
apenas sua mãe a escutava de verdade
a saudade que Maria Isis sentia dela era absurda:
às vezes não se lembrava,
às vezes parecia que alguém estava tirando um pedaço seu
Seu único ouvido fora embora

com o tempo, uma timidez oculta cresceu dentro dela
que a permitia ser agradável, benquista,
contanto que o miolo, a parte mais verdadeira,
aquela que ela mais gostava,
ficasse escondida.
por isso, se poderia concluir que a
intensa atividade mental de Maria Isis
vinha desse isolamento – externo e interno –
o que não era exato.
ela era assim, ia além do permitido,
se afastava, imaginava demais
Era mais fácil trancá-la, deixa-la de lado.
então o jeito era criar mais aind

agora ela brincava com sua recente invenção:
a busca sensitiva no mapa.
desenhara toscamente a planta de sua casa
a fim de procurar pontos de interesses ocasionais.
como o mapa era pequeno, ela usou um anel
para enquadrar a área que mais chamasse sua atenção
destacou afinal o fundo da edícula e três árvores do quintal
foi lá e nada.
ela estava acostumada a completar a sensação de vazio
de dar um “chega pra lá” na tristeza, mas
hoje ela estava mal
e nada estava dando certo
até o tempo estava fechado e logo começou
a chover, aliviando um pouco da pressão –
até ela chorou levinho

foi mais tarde rever o canto da edícula
e se deparou com o fio d’água caindo do telhado de
tal modo a abrir um buraco na terra.
teve então um déjà vu