Elas provam que não existem barreiras para uma mulher

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Michele tem 35 anos e trabalha com veículos pesados há 8 meses. Foto: Laura Silveira.


Atualmente, não podemos mais classificar as profissões como sendo masculinas ou femininas. Independente do trabalho requerer força ou liderança, as mulheres estão cada vez mais conquistando espaço em todas as áreas profissionais.

A sociedade patriarcal, juntamente com o estereótipo de família predominante até meados dos anos 50, com mãe dona de casa e pai provedor, contribuiu para a ausência da mulher no mercado de trabalho. Mas, desde 1950, o sexo feminino vem ocupando espaços cada vez mais significativos neste campo.

O Portal Gramado News mostra a história de três mulheres que venceram os pré-conceitos  estabelecidos e inseriram-se em um mundo totalmente novo. Desafiaram a si próprias, quebrando paradigmas de que existem profissões que só podem ser desenvolvidas pelos homens.

Elas são exemplos inspiradores e comprovam que é possível escolher a profissão por satisfação. Para Marlise, Michele e Simone o importante é ser feliz naquilo que se faz.

As motoristas de ônibus Marlise Vargas e Michele Prestes trabalham na Gramado Turismo, empresa de transporte coletivo de Gramado. As duas vem de famílias onde o pai, o irmão e/ou marido, dirigem veículos de grande porte.

“É maravilhosa a sensação de guiar uma máquina”

Apaixonada por veículos, Michele Prestes, tem 35 anos e relata que esse sentimento vem desde de criança. “É uma profissão desafiadora. Mas é maravilhosa a sensação de guiar uma máquina, são poucas as mulheres que encaram esse desafio”, frisa.

Michele conta que há oito meses trabalha com veículos de grande porte e que o irmão foi o seu maior incentivador. Antes ela trabalhava como supervisora de uma fábrica. “Quando podia sempre realizava entregas de caminhão. A paixão falou mais alto!”.

Ela está há três meses trabalhando como motorista de ônibus na Gramado Turismo e conta estar muito feliz com a oportunidade. A motorista lembrou que houve um único caso onde sofreu preconceito. “Uma criança que peguei na escola, olhou e perguntou: – Tia tu sabe dirigir? Porque as mulheres não sabem dirigir”.

Michele Prestes revela que ama o que faz e jamais pensou em trocar de profissão.

Michele e Marlise trabalham na Gramado Turismo como motoristas de ônibus. Foto: Laura Silveira.

“Somos capazes tanto quanto os homens”

Marlise tem 39 anos, nasceu em Taquari e há quatro anos trabalha como motorista de ônibus. “Quando fiz carteira de motorista disse que quando trocasse de categoria seria para ônibus, uma profissão na qual admiro muito, me sinto livre e descobri que é realmente o que eu gosto. Todas as vezes que entro no ônibus me sinto realizada, faço amizades. Gosto de estar no meio do povo”.

Ela trabalhou costurando calçados e por cinco anos como motorista de caminhão. “Um dia fui pedir emprego numa empresa e me responderam que trabalhavam só com motorista homem. Mas não desisti!”, conta.

Ela lembra que quando trabalhou como motorista de caminhão, tinha um colega que sempre a perguntava o que ela estava fazendo lá. “Eu respondia: o mesmo que tu e até melhor”.

Marlise comenta que os desafios dentro da profissão existem, mas que isso acontece tanto com as mulheres, como para os homens. “Eu me sinto orgulhosa por ter entrado nessa profissão e mostrado que somos capazes tanto quanto os homens. Temos que escolher trabalhar no que gostamos de fazer para realizar um trabalho bem feito. Lugar de mulher é aonde ela quiser”, frisa a motorista.

De acordo com o Diretor da Gramado Turismo em Gramado, Gilnei Garcia a mulher é mais sensível e cuidadosa no volante e com os passageiros. “Só tenho a agradecer as mulheres que quiseram vir para o nosso meio. Para mim é um orgulho ter essas meninas na equipe. São excelentes!”

“Não somos frágeis”

A bombeira Simone Mewius está há um ano formada como bombeira. Foto: Escola Hencke.

Além de motoristas, as mulheres também ocupam outros espaços. Simone Mewius, tem 36 anos e conta que já trabalhou como frentista de posto, na rodoviária, e trabalha como diarista.

Um dia eu acordei e resolvi fazer curso para ser Bombeira. “Queria fazer algo diferente, pois sempre gostei de coisas difíceis”. Simone comenta que em 2004 a casa dela pegou fogo, queimando todos os seus pertences”.

Ela realizou o curso pela Escola de Bombeiros Civis Rencke e concluiu no final de 2017. O primeiro evento que trabalhou foi na última edição do Natal Luz.

Simone lembra que o maior desafio foi a parte física mas ela revela que se superou nas provas. “Precisamos mostrar que nós como mulheres não somos um sexo frágil. Temos que ser fortes, guerreiras e com muita humildade a gente vai longe”.

Motorista, bombeira, médica, juíza, operadora de máquinas, não importa a profissão. É essencial que as mulheres entendam que podem ser o que desejarem, desenvolver o trabalho que escolherem, realizar seus sonhos e o mais importante: fazer o que gostam!

 

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns Michele Prestes, você representa todas as mulheres guerreiras que tem um sonho e correm atrás até realizar. Inspirador.

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