Projeto Ametista e o potencial econômico para os municípios gaúchos da fronteira com o Uruguai

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Foto: Divulgação.


O Serviço Geológico do Brasil apresentou nesta segunda-feira, dia 30 de agosto, em Gramado, o projeto Áreas de Relevante Interesse Mineral (ARIM) – Modelo Prospectivo para Ametista e Ágata na Fronteira Sudoeste do Rio Grande do Sul. Recentemente o Serviço Geológico do Brasil, a partir de pesquisa de campo e da aplicação de métodos geofísicos, divulgou pesquisa que sugere que as ametistas dos jazimentos de classe mundial do distrito gemológico Los Catalanes, Uruguai, avançam nas áreas de municípios da fronteira oeste gaúcha.

A pesquisa tem a autoria dos geólogos Magda Bergmann, Paloma Gabriela Rocha, Andrea Sander e Giovani Parisi.  O local escolhido para o lançamento foi o GEO Museu de Gramado que possui uma grande exposição de ametistas (inclusive uma peça de sete toneladas), extraídas da região uruguaia estudada.

Os municípios gaúchos da fronteira não exploram o potencial da região para ametistas. Enquanto que, do outro lado da fronteira, os vizinhos uruguaios já exploram as jazidas há mais de 50 anos. Dados apontam a produção de 1.689 toneladas de ametista, ao ano, no lado uruguaio. A extração de ametista acontece em oito municípios do Rio Grande do Sul, mas principalmente em Ametista do Sul. São mais de 200 garimpos na região. O total da produção que é exportada chega a 95%, a maioria para China, Estados Unidos e países da Europa.

O setor movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano para a economia gaúcha. No ano passado, houve uma queda de 10%, mas o dólar valorizado ajudou na recuperação. Em Soledade, a indústria representa 50% da economia; o número é ainda maior na cidade de Ametista do Sul, onde o setor corresponde a 70% da atividade econômica.

“São grandes lavas uruguaias produtoras de geodos e de ametistas. O setor de mineração em si movimenta toda uma cadeia de serviços. A perspectiva de beneficiamento local destas gemas teria foco central em Santana do Livramento beneficiando Quaraí e até Alegrete”, destaca a pesquisadora do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Magda Bergmann.

Segundo a pesquisadora, o mais importante no momento é sensibilizar os empreendedores da região que estão focados na exploração de ágatas. Eles precisam ser incentivados a investir na exploração das jazidas de ametistas que estariam abaixo das jazidas de ágatas nos municípios gaúchos. Esta é a 

Podemos ter uma exploração a longo prazo como do lado uruguaio, e também a exportação para mercados como o da China, por exemplo”, completa Magda.

Participaram do evento em Gramado, que também marcou as comemorações dos 52 anos do Serviço Geológico do Brasil, o diretor-presidente do SGB-CPRM, Dr. Esteves Colnago, o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB-CPRM, Dr. Márcio Remédio e o prefeito de Gramado Nestor Tissot.

Aqui o estudo completo Áreas de Relevante Interesse Mineral (ARIM) – Modelo Prospectivo para Ametista e Ágata na Fronteira Sudoeste do Rio Grande do Sul: http://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/18795