Polícia não comprova pacto suicida, mas não nega possível existência do grupo

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Delegado Gustavo Barcellos destaca que o Inquérito que apurou o suposto pacto suicida somou mais de 420 páginas. (Foto: Gerson Sorgetz)


A Polícia Civil encerrou as investigações que ocorriam desde 2014 sobre a existência de um suposto pacto suicida (formado por uma rede social e aplicativo) entre adolescentes de 12 a 18 anos nas cidades de Gramado e Canela. Na época, uma força-tarefa coordenada pela DP Regional foi organizada para apurar os fatos, uma vez que duas jovens, uma em Gramado e outra em Canela tiraram as próprias vidas por meio de enforcamento e ocorreram outras três tentativas de suicídios.

As diligências sobre o caso envolveu os delegados de Gramado, Gustavo Barcellos e o de Canela, Vladimir Medeiros, mas foi Barcellos quem ficou responsável pela condução física do inquérito. Conforme a autoridade policial, foram feitas apreensões, realizadas buscas e perícias em mais de dez smartphones, vários notebooks, 42 depoimentos foram colhidos, dois suspeitos maiores de idade foram identificados, mas não ficou comprovado que de fato existia um pacto suicida. Por isso, Barcellos concluiu o procedimento de mais de 420 páginas sem indiciamentos.

A Polícia buscou descobrir se houve induzimento, instigação ou auxílio aos suicídios e tentativas de suicídios, além de se mobilizar para evitar outros suicídios. “Apesar dos depoimentos de que havia o pacto, não obtivemos provas de que ele realmente existia. Nós não negamos que existisse, mas não conseguimos provar se houve instigação ou induzimento aos suicídios,” resume Barcellos. “Fizemos de tudo para provar a existência do pacto, foram realizadas inclusive a recuperação de dados apagados de aplicativos de bate-papo e rede social,”afirma Barcellos.

Adultos criaram grupo para “zoação”

As investigações descobriram que dois rapazes moradores de Canela criaram um grupo de bate-papo via aplicativo de celular posterior aos dois suicídios consumados, alguns dias após surgir a notícia de que havia um pacto suicida. “Segundo eles, sabendo dos fatos, eles fizeram uma brincadeira de mal gosto. Conforme eles, era tipo uma ‘zoação,’” conta Barcellos. Como os dois homens criaram o grupo após as mortes, a Polícia não pode imputar nenhuma responsabilidade a eles relacionadas ao induzimento ou instigação aos suicídios.

Alguns depoimentos colhidos foram contraditórios, mas algumas pessoas relataram à Polícia Civil a veracidade de um pacto de morte entre jovens, mas as investigações não alcançaram provas materiais sobre a existência do pacto suicida.

“Não temos certeza de nada, o que temos são indícios baseados em depoimentos de que havia o grupo, mas não obtivemos provas concretas de que existia o pacto, apenas depoimentos de que havia o pacto, não conseguimos provar que houve induzimento ou instigação aos suicídios. Esgotamos todas as possibilidades para tentar comprovar a existência do pacto,” garante o delegado.

Demora para conclusão do inquérito policial

O delegado Barcellos explica porque o inquérito foi concluído quatro anos após o início das investigações.

“O procedimento tem mais de 400 folhas, os depoimentos foram volumosos, foram muitas perícias, algumas realizadas em Porto Alegre, isso demandou aproximadamente dois anos e depois disso a demanda da DP, nós temos mais de dois mil procedimentos em andamento e como não tínhamos chegado a nenhum resultado que levasse adiante a investigação esse procedimento acabou cedendo espaço para outros que foram priorizados em razão disso somente agora estamos conseguindo remeter ao Poder Judiciários sem nenhum indiciamento,” esclarece Barcellos.

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