“Pessach” = Passagem

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E estamos na Páscoa.

Na antiguidade Moisés orientou a todos que passassem sangue de cordeiro nas vergas e ombreiras de suas portas e não saíssem de suas casas até o dia seguinte.

Essa foi uma das pragas que assolaram o Egito antigo marcando o período da libertação do povo Hebreu e marcando também a origem da Páscoa Judaica.

“Pessach” que significa passagem, uma celebração que relembra essa libertação.  

E assim o povo passou confinado em  casa meditando e rezando para que a praga não os atingisse.

Coincidência passarmos a Páscoa quase da mesma forma. “Confinados”. Me atenho não a questão da quarentena, que está causando desestruturação no nosso sistema, mas sim a condição reflexiva e meditativa. Mergulhamos assim na espiritualidade e nos apegamos na fé para que a maleficiência e as suas consequências passem longe de nós.

Sinto falta da representar a Paixão de Cristo, do envolvimento com o elenco e com o público numa catarse mantendo viva a história de Jesus que foi firme em favor da sua verdade. 

Costumo dizer que independente da opção religiosa e do posicionamento de cada em relação ao ícone Jesus, ele existiu e a tantos anos atrás falou do amor ao próximo, imprimiu no mundo um comportamento de generosidade, de humanidade de ações feitas  de forma incondicional e principalmente de fé.

Tenhamos fé naquilo que acreditamos e tenhamos fé em nós mesmos para seguir em frente e se for preciso para que nos reinventemos para superar esse momento.

E assim deixo um poema não tão antigo mas que expressa meu desejo:

“Te desejo uma fé enorme. Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estiver doendo, não percamos de vista, nem de sonho, a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Que seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Que seja bom o que vier, pra você.

Caio Fernando Abreu

Que a Páscoa seja plena e carregada de esperança e que a alegria aconteça em cada coração.