Operação Thanatus da Polícia Civil desarticula “Os Manos” em Gramado

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Cinco homens e uma mulher foram presos em endereços de Gramado e Canela no cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão. Foto: Laura Silveira.


Uma grande operação da Polícia Civil desencadeada na manhã desta terça-feira, 31 de julho, desarticulou uma célula da facção Os Manos em Gramado. A organização criminosa vem tentando dominar a venda de drogas e a criminalidade em geral na cidade e na Região das Hortênsias. Cerca de 80 policiais foram às ruas para cumprir 41 ordens judiciais, sendo 22 de busca e apreensão e 19 de prisão entre temporárias e preventivas (por tempo indeterminado). Endereços nos bairros Dutra, Carniel, Viação Férrea, Vila do Sol e em Canela foram alvos dos agentes.

Dos 19 mandados de prisão, nove foram cumpridos dentro do sistema penitenciário. Receberam voz de prisão detentos com ligação com Os Manos nas cadeias de Canela, Montenegro, Caxias do Sul (Apanhador) e Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). Nos três primeiros presídios já estavam reclusos “gerentes” da facção e “soldados” que atuavam diretamente no varejo de entorpecentes.

Na ofensiva policial desta terça-feira, foram detidos seis integrantes do grupo criminoso, sendo um em flagrante. Um dos presos é uma mulher. A mobilização da Polícia Judiciária foi batizada de Thanatus (figura da história grega que representa a morte), alusiva a sequência de quatro homicídios vinculados diretamente ao narcotráfico no município. Ao todo, a operação prendeu 17 criminosos, sendo nove que já estavam encarcerados, cinco com autorização judicial, um em flagrante e dois em recentes ações da Polícia Civil gramadense.

LÍDER EMITIA AS ORDENS DA PASC

É na PASC que está recluso a muito tempo, Marizan de Freitas, vulgo Maria, apontado pelas investigações como o líder da quadrilha que atuava em Gramado. Maria é considerado um bandido de alta periculosidade, tendo em sua ficha criminal principalmente delitos como homicídio, roubo e tráfico.

De dentro da sua cela, ele estabelecia o modus operandi do bando, como por exemplo, a forma de comercialização das drogas e quais integrantes ficariam responsáveis pela venda em determinados bairros. Maria teria dado o aval para as execuções a tiros de pessoas que tinham débitos ou desentenderam-se com a facção, além de coordenar a venda e a distribuição de entorpecentes na cidade bem como a prática de outras atividades ilícitas.

“Foram acertos de contas por motivos variáveis, mas todos ligados diretamente ao narcotráfico,” afirma o delegado de Gramado, Gustavo Barcellos. Ele destaca a violência dos assassinatos praticados pelos “Os Manos”. “A marca das execuções realizadas pela facção era o alto poder bélico e muitos disparos para matar as vítimas,” conta Barcellos. “Com a ação, buscou-se atacar os elos e cadeias hierárquicas da organização, desde mandantes até indivíduos que atuam na venda das drogas,”acrescentou Barcellos.

TOLERÂNCIA ZERO PARA O TRÁFICO

Nos últimos dois meses, a Thanatus recolheu oito quilos de maconha, meio quilo de cocaína, 2.000 pedras de crack e uma pistola calibre 32. “A Polícia Civil não atua de forma isolada, mas sistemática. Não vamos tolerar o avanço da facção em Gramado, ninguém está livre dos braços da lei,” garante o chefe da Polícia Civil na região, Heliomar Franco. “Grandes lideranças do crime organizado estão no sistema prisional, mas tem comunicação externa,” lamenta Franco. “Atacamos um ‘braço’ da facção e esperamos que dure um longo tempo,” concluiu o delegado regional. A Polícia sabe que o comércio das drogas não encerrou, mas espera que o tráfico recue e mortes violentas na guerra dos entorpecentes cessem. A próxima etapa da Thanatus será a apuração do poder econômico e lavagem de dinheiro orquestrada por “Os Manos” em Gramado.

“DEUS É MAIS,” DISSE UM DOS ACUSADOS

Durante o registro fotográfico  de seis, dos sete  presos nesta terça-feira, um dos detentos tentava confortar seus comparsas. “Deus é mais gurizada,” dizia o preso.