O que esperar do viajante no terceiro ano de pandemia?

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Centro de Gramado. Foto: Cid Guedes.


O terceiro ano de pandemia coronavírus iniciou com a nova variante Ômicron em ênfase, de sintomas menos graves aparentemente mas maior transmissibilidade da doença. Se é resultado das festas de fim de ano, ou não, o que está em pauta no presente é o aumento expressivo dos casos de infecção pelo vírus, agravado pelo H3N2, variante do vírus Influenza. Os novos casos servem de alerta e apontam para a necessidade da prevenção constante em todo o país, especialmente para o setor do turismo que atua diretamente com viajantes de todos os cantos do Brasil.

Viemos de um último ano onde o turista se sentiu mais confiante para voltar a viajar, já que as companhias aéreas voltaram a operar, hotéis a receber hóspedes e atrações aplicaram protocolos de segurança contra a propagação do Covid-19. Esta segurança nas viagens, apontou para o início de uma recuperação no setor do turismo, que já estava abalado grandemente desde março de 2020 devido a falta de vacinas e casos de mortes pelo coronavírus.

Diante desse cenário, a pergunta que não quer calar é: o que esperar do viajante no terceiro ano de pandemia?
Acreditamos que a resposta para a pergunta esteja no novo comportamento do turista, e diante desse conhecimento, adaptar-se é o desafio.

Os planos de viagem para Gramado continuam na lista dos objetivos para 2022. A cidade ficou em oitavo destino mais procurado no mundo, única da América Latina no resultado da pesquisa realizada no final de 2021 pela Booking.com, após rodar mais de 31 países e ouvir mais de 24 mil pessoas. A plataforma ainda confirma que 63% dos viajantes não se intimidam com o cenário de pandemia e querem recuperar o tempo de férias perdido.

É relevante lembrar, principalmente aos profissionais do trade turístico, que o bom marketing não é feito somente em ações de comunicação, como propaganda, publicidade ou venda pessoal, mas é construído através da compreensão, do atendimento das necessidades e desejos dos clientes e consumidores. É preciso mais do que atender, mas entender quem está em nossa frente, suas dores e desejos.

É necessário compreender que cada visitante tem suas necessidades, carências básicas! Sejam elas de ordem fisiológica, como matar a sede tomando um suco de uva, ou psicológica, como experimentar do melhor em um passeio de carro importado. O desejo é o que manda, a necessidade está presente nos turistas, mesmo que escondida, e os profissionais de turismo precisam procurar maneiras de satisfazê-la. O sucesso de quem entende o comportamento de seu cliente, é garantido, pois conseguiu despertar a consciência de que necessidades existem, e então podem preparar a entrega de uma solução como resposta através do seu produto ou serviço.

Destaco ainda o que as pessoas valorizam ao reservar suas viagens nesta nova realidade. Informações obtidas através do índice de valor do viajante do Expedia Group, que analisa o impacto da pandemia da Covid-19 nas decisões dos viajantes. A recente pesquisa foi realizada com 8 mil entrevistados de 9 países de todos os continentes.

Dentre os preferências e novos hábitos dos viajantes para 2022, acompanhe o que é tendência:

  • Viagens mais ecológicas: 59% dos turistas dão preferência a viagens sustentáveis, locais abertos com menor risco de infecção. Sensação de liberdade se torna valioso.
  • Viagens mais rápidas: 41% do entrevistas respondeu que prefere fazer o famoso “bate-e-volta” em um final de semana, com maior frequência
  • Viagens perto de casa: 60% dos viajantes pretende realizar viagens domésticas a curto prazo, o que fomenta o trade nacional
  • Viagens para novos destinos: 75% das respostas provavelmente vão escolher um destino inédito e 22% estão na busca de experiências únicas.

Para continuar conquistando a confiança dos viajantes, além de conhecer o comportamento do cliente, como abordamos anteriormente, é preciso considerar o que é essencial para eles. Por fim, sugiro algumas medidas:

  • Ampliar o mix de produtos, isso é, oferecer uma variedade de serviços e preços para satisfazer o desejo de novas experiências em seu estabelecimento;
  • Reforçar o compromisso social e protocolos em suas campanhas de marketing, para que os viajantes tenham mais facilidade em sua jornada de compra digital;
  • Criar e informar políticas flexíveis e de cancelamento, para aliviar qualquer ansiedade ou desgaste em futuros reagendamentos, assim afirma uma conexão emocional nesse momento de insegurança.

Enquanto muitos diziam que iria passar, se criou a esperança de que as coisas voltassem a ser como “antes”, e agora já falamos em um “novo normal”, talvez porque não passará mais, ou tão cedo, e quem sabe as coisas não voltarão a ser como antes, mas caminhamos para um novo mundo, com novos hábitos, medos e comportamentos.

Sim, mais uma vez as variantes conseguiram embaralhar os prognósticos para este ano, por isso a indústria do turismo precisa continuar sempre atenta, rápida e pronta a adaptar-se, mas mantendo a visão e foco na experiência do cliente. Seguimos todos atentos às recomendações de saúde pública, acreditando que com o avanço da vacinação possamos chegar ao final de 2022 com controle sobre o vírus e perspectiva positiva nos negócios.