“O PIB não mede o amor que a gente sente pelos filhos”, diz Piangers para o Gramado News.

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Marcos Piangers é autor de O Papai é Pop 1 e 2, O Poder Do Eu Te Amo e O Papai É Pop Em Quadrinhos 1 e 2, lançados pela Editora Belas Letras Foto: Giselle Sauer.

Autor do bestseller “O Papai é Pop”, especialista em novas tecnologias, criatividade e inovação, Marcos Piangers também é uma das maiores referências sobre paternidade do país. Com mais de 300 mil livros vendidos e lançados em Portugal, Espanha, Inglaterra e EUA, o pai da Anita e da Aurora, conta durantes as palestras, suas experiências com as filhas e o que vem aprendendo sobre ser pai, emocionando e influenciando pessoas no mundo inteiro. Em entrevista exclusiva para o Portal Gramado News, Piangers fala sobre o tema que vem trazendo novas perspectivas e reflexões para as famílias, a paternidade.

GN – Quando o Papai mais pop do mundo se descobriu pai?

Piangers Eu comecei a perceber que eu tinha que participar cada vez mais no dia do nascimento da minha filha Anita. Quando ela chegou no mundo, eu ainda tinha aquela visão de que a minha esposa era mais responsável por todas as questões e com o passar do tempo, ali naquela primeira noite, eu fui vendo que minha esposa estava fragilizada, depois de uma operação cesariana e fui até o corredor pedir ajuda para a enfermeira, e a enfermeira disse: “Papai agora é com você”. Naquele momento caiu a ficha eu fui percebendo que poxa, tenho que estar ali perto dela participando de todas as áreas e participando ativamente e isso foi obviamente aprimorando no primeiro mês. Errei muito no primeiro ano e agora são 14 anos que eu tô junto com a minha filha mais velha e continuo errando, mas me esforçando o tempo todo para acertar e tenho tentando ser o melhor pai possível. E o que eu aprendi nesse tempo aqui, o mais importante é você tá presente, prestar atenção naqueles sinais que seu filho passa para você, para que você se aprimore, ficar cada vez melhor. Para ser um bom pai, você precisa ser um bom marido. Para ser um bom marido, você precisa ser um bom homem. É uma busca constante por se aprimorar mesmo.

GN – O que tu achas que contribuiu para esta descoberta?

Piangers – Eu acho que ter uma mulher que permite, que dá espaço para que o homem participe. Ter uma mulher que me deu essa responsabilidade, que me abriu espaço para estar perto das minhas filhas e que me dá moral mesmo para estar participando das questões da educação e da saúde, isso só abriu muitas portas. Eu percebo alguns homens sem muito espaço para entrar naquela relação com os filhos, por conta de uma cônjuge que quer participar, quer fazer tudo sozinha basicamente ou que acha que o seu jeito de fazer é o jeito certo. Acho que a gente tem que respeitar o jeito do outro e aprender juntos a fazer cada vez melhor e cada um, cada parte desse núcleo familiar, tem uma importância.

GN – Como é inspirar tantos pais e mães pelo mundo? Como te sentes em relação a isso?

Piangers – Eu ainda fico muito surpreendido quando eu recebo um e-mail como o que eu recebi hoje pela manhã, de uma mãe que se emociona com os meus vídeos na Espanha, lá no sul da Espanha ou com o pai que se emocionou com meus vídeos lá na Suécia, que me mandou um e-mail também. Ainda ficou muito surpreso de ver como as pessoas se identificam, aprendem ou se inspiram nas minhas histórias. Como eu sempre digo, não sou professor, nem psicólogo, nem pedagogo, tudo o que eu sei aprendi durante esses 14 anos de paternidade.Eu falo sobre os meus erros e sobre as minhas tentativas, e acho que outros pais se identificam e se sentem inspirados. Isso é a coisa mais importante, eu sinto que o meu compromisso, minha missão aqui é inspirar o melhor pai que existe dentro das pessoas.

GN – A paternidade ativa vem sendo discutida há alguns anos. O que tens a dizer aos papais que querem participar da formação dos filhos e ainda não sabem como?

Piangers – Principalmente é organizar a sua agenda para ter mais tempo com o seu filho, com a sua família. Tempo junto vai fazer com que você aprenda a ser pai, a gente aprende a ser pai, sendo. Não existe livro, não existe manual, o que nos ajuda de verdade é a prática. É estar sempre perto, atento, disposto a participar. Quando você tem uma agenda organizada,, para ter tempo com a família, você vai se afeiçoando naquele investimento, naquele compromisso e se apaixonando pela sua obra prima.

GN – Na tua opinião, qual o maior desafio que os pais enfrentam atualmente na criação dos filhos?

Piangers – O nosso grande desafio é falta de tempo. A gente tá sempre correndo para pagar as contas. A gente vive em uma sociedade de consumo, obcecada por estar sempre ocupado e os nossos referenciais de sucesso são pessoas muito ocupadas, com pouco tempo para a família. O nosso PIB não mede a força que a nossa família tem. O PIB não mede o amor que a gente sente pelos nossos filhos. O PIB não mede o tempo que a gente passa junto com eles. PIB não mede as brincadeiras que a gente faz, um sábado de tarde no sofá, e a gente se acostumou a não valorizar essas pequenas atitudes. Acho que é importante entender, com a chegada filho, que é preciso preparar uma nova geração com valores, com ética, com responsabilidade para lidar com todos os desafios das próximas décadas. A gente tem esse desafio relacionado, está sempre correndo, não tem tempo para nada. Também há um desafio relacionado na sua obsessão por tecnologia, estar sempre olhando redes sociais, jogos de celular, reclama que não tem tempo para nada, mas está sempre em algum lugar olhando para o celular e perdendo tempo, muitas vezes, em discussões vazias na internet ou memes bobos no Twitter. E assim, a gente vai esquecendo que se de fato a gente reclama que não tem tempo, temos que otimizar isso, excluindo algumas coisas da nossa vida, de preferência aquilo que tem menos importância do que a nossa família.

GN – Qual o principal ingrediente para construir uma relação saudável entre pai e filho?

Piangers – Conversa, participação! Quanto mais você tiver perto do seu filho, conversando, levando em consideração aquilo que ele tá falando e quanto mais tempo você dedicar a essa relação, melhor. Eu sempre defendo também uma temática simples, da expectativa e apoio. Quanto mais expectativa você tiver do seu filho ou seja, quanto mais falar para ele “espero que você se esforce mais”, “espero que você se sai melhor nisso”, “vamos lá, você consegue” e ao mesmo tempo ter alta expectativa, mas com alto apoio também, e o apoio é: “olha se não deu dessa vez, vamos na próxima, eu te ajudo e tô aqui para o que você precisar”. Então, expectativa com apoio é um ótimo diagrama para pais que querem se inspirar em uma ‘fórmulazinha”. Mas no final das contas, o que importa de verdade é o afeto, amor, carinho, bastante conversa, transparência, falar sobre tudo de forma bem transparente para que seu filho entenda um pouquinho melhor do mundo através de você.

GN – Quais os projetos que o Piangers tem para o futuro?

Piangers – Ano passado a gente viajou o Brasil entrevistando pais de todo o país, para montar um documentário nesse ano. Também vendemos os direitos do “Papai é Pop” para transformar em um filme, um longa-metragem. Além disso, a gente tem a ideia de lançar um especial, uma gravação,também esse ano, com as conversas com os pais em teatros. Faremos uma segunda turnê, viajando por todo Brasil, para mais cidades, falando sobre paternidade, família, sobre filhos, de maneira bem humorada e emocionante.

Confira o áudio da entrevista com Marcos Piangers: