Então que seja de uma vez

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O apito final no calor escaldante de São Leopoldo confirmou a grande possibilidade de haver um clássico Gre-Nal logo na semi-final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho de 2020. Digo a você, amigo tricolor, que estou satisfeito com essa resolução.

Mesmo que se discorrermos sobre os motivos que colocaram o Grêmio como o segundo colocado no seu grupo, atrás do Caxias, veremos uma derrota contra um fraco Aimoré, que vinha de três derrotas seguidas, logo quando parecia que o time ia se encaixar. Mais a fundo vemos Cortez em dívida, Vanderlei ainda sem conquistar a nossa confiança, Lucas Silva e Maicon sem dominarem o meio-campo como esperado. De qualquer forma eu sigo sendo do time que vê mais virtudes do que defeitos neste Grêmio de 2020.

Pois, para início de conversa, Geromel e Kannemann estão ainda em processo de recuperação e qualquer time sente a falta da maior dupla de zaga das Américas.

Ainda temos Caio Henrique, Matheus Henrique e Pepê sob serviço da Seleção Brasileira sub-23. Na minha opinião, três atletas que vem e fardam.

Aliado a isso, quando você vê Thiago Neves e Jean Pyerre, a certeza é que um deles será titular no melhor Grêmio possível e, neste momento, nenhum dos dois ainda é.

Portanto, meus amigos, muita calma nessa hora. A coisa se mostra mais brilhante aí na frente quando o time estiver completo. O próprio jogo versus um Aimoré fazendo a sua Copa do Mundo com uma grama alta no Cristo Rei diz pouco sobre as nossas possibilidades.

E o clássico antecipado, mesmo sendo no Beira-Rio, faz com que enfrentemos o Internacional justamente quando eles estarão em meio a uma importantíssima disputa de pré-Libertadores. Mesmo se o time colorado for o principal na semi-final no próximo sábado, o foco não é o mesmo. O próprio Grêmio viveu isso inúmeras vezes em campeonatos estaduais. Me lembro muito bem, por exemplo, das eliminações nos Gauchões de 2013, 2016 ou 2017. Portanto, do ponto de vista de vantagens ou desvantagens, me agrada que este Gre-Nal no Beira-Rio – que seria inevitável, diga-se de passagem – aconteça logo de uma vez. 

Preocupa a atuação fraca do Grêmio de ontem? Até que sim. Mas com uma equipe com até seis peças diferentes no time titular contra um rival em meio a um mata-mata difícil, vejo a coisa desta forma. Dentro de todas as possibilidades que se antecipam para o ano, só no Gauchão existe a chance de cinco Gre-Nais. Na Libertadores, o Internacional pode entrar no grupo tricolor, então some aí mais dois. Se você imaginar que no Brasileirão temos dois jogos também e na Copa do Brasil o sorteio quase sempre nos bota frente a frente – e a cada ano isso parece mais provável – este pode ser um ano recorde em números de clássicos. E se for pra acontecer, que aconteça com o Grêmio mais bravo, valente e aguerrido possível. Se for pra ser o ano inteiro, então que seja de uma vez.

Clássico é campeonato à parte. E, como diz Renato Portaluppi, o Grêmio entra em todos os campeonatos para ganhar.