“Natureza ou Natura?” Diferenças no mercado de trabalho entre paisagistas e retratistas

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Antes de mais nada e antes ainda que me xinguem, existem mais de 20 categorias no mercado de trabalho para fotógrafos, como fotógrafos de culinária, científicos, fotojornalismo entre outros. Porém para não me abranger muito e me focar no que a maioria dos fotógrafos aqui da região da serra gaucha trabalham: fotografia de paisagens e retratistas.

Meu pai me falava que quem fotografa paisagem morre de fome e apesar de não concordar com ele, realmente o mercado não é muito grato a esse tipo de fotografia, apesar de estampar 90% das imagens nas redes sociais. Não é muito comum e fácil vender esse tipo de trabalho.

Então comecemos a falar sobre essa modalidade.

Sempre fui apaixonado por fotografar paisagens. Torrei muitos rolos de filme em fotos do por do sol em Ipanema(Rio de Janeiro), na galera do surf, em cachoeiras e praias, além das minhas amadas fotos aéreas – ao qual, mesmo sem ainda ter a facilidade dos drones, eu subia os morros e montanhas para fotografar a cidade de cima. Porém, para vender esse material era quase impossível, tendo em vista que as pessoas que conseguiam gerar renda com esse tipo de fotos eram (e ainda são) estrelas como Sebastião Salgado(@sebastiaosalgadoofficial), Max River(@maxrivephotography) e Atif Saeed(@atifsaeedfineartphotography). Cada foto dessas estrelas vale milhares e milhares de dólares.

Porém, há diversas formas de gerar um retorno financeiro com esse material. Um deles é via banco virtual de imagens. São fáceis de usar e geram uma receita razoável se você alimenta bem esses bancos. Inclusive mês a mês os sites costumam apresentar as tendências para você se atualizar. Exemplos desses bancos de imagens são o Shutterstock e Getty Images. Trabalho com ambas e sempre geram uma boa renda mensal onde invisto em equipamentos.

Outra forma de gerar lucro é através da venda das imagens para galerias de arte e afins. Sempre há uma necessidade para gerar novas imagens para quadros e objetos de decoração.

Agora falemos dos retratistas. Moro em Gramado, e acho que quase todos os fotógrafos que conheço por aqui trabalham com isso. Books de gestantes, família, infantis, modelos para lojistas além do já tradicional books para turistas são alguns exemplos que vejo por aqui. São uma ótima fonte de renda para fotógrafos, principalmente por que vivemos em um estúdio fotográfico a céu aberto o que barateia demais os custos operacionais e de equipamentos.

O grande problema de ser retratista em uma cidade com menos de 40 mil habitantes e com pelo menos uns mil fotógrafos, sendo 900 retratistas, é a lei da oferta e da procura. Com o barateamento e a facilidade de vir para a serra gaúcha, o serviço de books fotográficos também teve uma queda muito grande de preço, aumentando assim o numero de serviço para poder gerar a mesma renda que se tirava a 2, 3 anos atrás. Em 2017 por exemplo a média de um pequeno book fotográfico era entre 450 e 850. Hoje você consegue encontrar por menos de 100 reais um pequeno book.

E infelizmente, não por culpa dos fotógrafos, mas por culpa da quantidade de gente oferecendo o mesmo serviço, a qualidade dos equipamentos e da pós produção também decaiu para poder entregar ao cliente o material pelo menor tempo possível de uma maneira mais simples possível.

Então para poder ganhar um pouco a mais que a média, alguns fotógrafos estão se especializando ainda mais, montando estúdios e ampliando seus serviços fotográficos.

Eu hoje trabalho na área de fotografia, quase que exclusivamente com fotografia de paisagens e eventos, pegando apenas alguns poucos serviços como retratistas quando sou solicitado.

Na minha próxima postagem falarei sobre os books fotográficos de turistas. E entrevistarei dois influenciadores que trabalham exatamente com essa área.

Até a próxima e bons cliques!