“Não há espaço para traficantes em Gramado,” diz delegado regional

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Dez homens foram presos pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira, 19 de abril, em Gramado suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e ligações com uma facção criminosa com base na zona leste, de Porto Alegre, mas que tem ramificações em todo o Estado. As investigações e a ofensiva policial foram coordenadas pelo Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) com o apoio da DP Regional de Gramado.

Além das pessoas detidas, a investida também teve como desfecho a apreensão de três armas (modelo pistola), dois veículos e pequenas quantidades de maconha e cocaína. Com apoio de um helicóptero, cerca de 100 agentes e delegados cumpriram 25 ordens judiciais de busca e apreensão e nove mandados de prisão temporária (cinco dias). O grupo criminoso que foi alvo da primeira fase da operação batizada de Nevada conforme levantamento policial adquiriu imóveis e abriu negócios com a finalidade de “lavar” o lucro obtido com as atividades ilícitas.

Bens adquiridos pelo grupo criminoso

A próxima etapa da Nevada irá rastrear e identificar o patrimônio conquistado pela quadrilha principalmente com o dinheiro da venda de drogas. O bando também é suspeito de praticar homicídios e outros crimes. A facção criminosa associou-se a traficantes radicados em Gramado para dominar o varejo das drogas e o crime em Gramado e outras cidades. A organização entre outras iniciativas financiava a quadrilha de Gramado. O responsável pelo trabalho da Polícia Judiciária na Região das Hortênsias, delegado Heliomar Franco, em entrevista à Gramado FM falou sobre a desarticulação do bando e dos próximos passos das investigações.

Conforme ele, a Polícia não aponta um líder da quadrilha de Gramado. “Não se pode dizer que essa associação tinha um líder, na quadrilha cada um tinha uma tarefa comuns ao tráfico. Essa quadrilha vinha mantendo contatos com quadrilhas da Região Metropolitana de Porto Alegre. Em menos de um ano pra cá começou uma escalada de violência, aumento de tráfico nos modelos que a gente costuma observar nos lugares mais conflagrados, nada comum a cidade de Gramado”, destaca Franco. “O tráfico a gente sabe que existe em Gramado assim como em qualquer cidade do país, mas em níveis que não chegam a impactar na criminalidade, ai começou uma espiral ascendente de violência, nós tivemos cinco homicídios na cidade, sendo uma boa parte atribuídos a disputa de território e dívidas ligadas ao tráfico,” acrescenta o delegado.

Descapitalização da quadrilha

Agora, a Polícia mira a evolução patrimonial do bando. “Isso nos fez incrementar um trabalho investigativo que levou cerca de seis meses para ser concluído, essa é apenas a primeira etapa dos trabalhos que irão investigar diretamente o tráfico e em alguns aspectos homicídios. Certamente teremos mais etapas de trabalho, sendo trabalhos mais cartorários que é a questão patrimonial que a Polícia Civil costuma fazer sempre. Se há tráfico também há ocultação de bens, lavagem de dinheiro e isso que descapitaliza as quadrilhas e fazem com que a criminalidade diminua, porque o crime passa necessariamente pelo poder econômico,” comenta Franco. O delegado explica como funcionava a relação entre a facção de Porto alegre e o grupo criminoso de Gramado.

“Remessa de entorpecentes para a Serra e a quadrilha da Serra se encarregava de fazer a distribuição para pequenos traficantes da cidade. A nossa investigação detectou todo esse modus operandi, as autorias estão apontadas no inquérito policial”, afirma o delegado regional.

Para Franco, a operação Nevada sufocou o tráfico de drogas em Gramado.

“Nós prendemos uma quadrilha inteira de traficantes que vinha assolando a comunidade de Gramado. Gente que vinha se capitalizando com o tráfico. Gramado é uma cidade pacata e nós queremos que ela continue assim. Em Gramado não tem lugar para traficante em Gramado, não tem lugar nas ruas, não tem lugar para eles nas proximidades de escolas. Nada mais justo que a Polícia devolva o nível de tranquilidade. Então nós vamos banir, vamos enfrentando como for possível a criminalidade. Esse dinheiro (bens adquiridos pela quadrilha) será repelido porque junto com ele, vem os assaltos, a criminalidade e isso as comunidades de Gramado e Canela não querem, vamos continuar trabalhando em nome da segurança pública,” concluiu Franco.