“Na etapa de preparação é onde a gente cresce”, conta o diretor artístico do Sonho de Natal Elias da Rosa

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Elias e a filha mais nova Camila, que o acompanha nos shows e espetáculos do Sonho de Natal. Foto: Rafael Cavalli.


Uma pessoa simples, é como o produtor cultural Elias da Rosa se descreve. Pai da Julia, Mariana e Camila, ele nasceu na cidade de Caxias do Sul, mas veio morar em Canela ainda criança. Iniciou a carreira artística em 1987, no Festival de Teatro de Canela e atualmente é o diretor artístico de um dos maiores eventos natalinos do país, o Sonho de Natal de Canela.

GN – Quem é Elias Rosa?

Elias – Simples. Me envolvo com tudo. Gosto de fazer tudo que é necessário nos bastidores de um espetáculo ou em um projeto. Eu trabalho desde o desenvolvimento e elaboração dos projetos, na execução e na prestação de contas. Mas o mais legal de tudo é quando faltam segundos para começar uma apresentação, a adrenalina nas alturas, e no sistema de rádio eu solto o “Abre a luz e vamos começar!”.

GN – Conte-nos um pouco da tua trajetória desde que iniciou a trabalhar com arte?

Elias – Em 1992 a convite da Berenice Felippetti (secretária de educação naquele período) fui trabalhar no Departamento de Cultura da Prefeitura de Canela e auxiliar na produção dos eventos Festival de Teatro, Festival de Bonecos, Semana Santa e tantos outros. Foi uma escola. Em equipe descobríamos como produzir os eventos. Nesta época conheci a Nydia Guimarães, esposa do escritor Josué Guimarães, e com ela conheci uma rede de amigos e através deles fui para Porto Alegre trabalhar com cinema no filme Netto Perde Sua Alma e acabei morando em Porto Alegre, focado no audiovisual. Foram vários filmes entre longa metragens e séries de TV.

GN – Um momento que te marcou durante essa trajetória?

Elias – Uma das mais importantes fases da projeção do cinema digital foi quando, junto com o diretor Beto Souza, fizemos uma projeção no Margs em São Paulo no ano de 2010 do filme Enquanto a Noite Não Chega, em 4k,, com transmissão simultânea para universidades dos Estados Unidos e Japão. Mas, mais do que participar do teste tecnológico em caráter experimental, foi utilizar um filme inspirado no livro do Josué Guimarães e lembrar que a Nydia abriu caminhos na área do cinema.

GN – Qual o maior desafio na produção artística?

Elias – O maior desafio é comunicação em virtude do grande número de pessoas envolvidas. Comunicar significa que tu precisa estar sempre preparado para dar a informação com clareza. A informação deve ser objetiva. Repetitiva. Não me importo de responder 200 vezes a mesma pergunta. O que me ajuda muito é o bom humor e não usar o grito como ferramenta.

GN – O que tu mais gosta em meio a toda a produção?
Elias – Na etapa de preparação é onde a gente cresce. É preciso estudar e aprender coisas novas. Todos os trabalhos exigem isso.

GN – No que tu te inspiras para fazer a produção artística do Sonho de Natal?

Elias – No passado muita gente contribuiu na construção do Sonho de Natal o que definiu o seu DNA. São as memórias afetivas que inspiram.

GN – Como tu faz para ser pai e ao mesmo tempo diretor artístico de um dos maiores eventos natalinos do país?

Elias – Unindo as duas coisas. A Camila (mais nova) me acompanha em tudo que faço. Ela vai em todos os espetáculos. Como estou envolvido durante todo o ano com o evento ela acaba se envolvendo com as coisas. Ano passado, por exemplo, ela ficou escutando as trilhas da Chegada do Papai Noel uns três meses após o evento ter encerrado. Em especial, na edição de 2018, ela contribui muito com a escolha do tema “O Brilho no Teu Olhar”.

GN – O que significa o Natal para ti?

Elias – É a data mais especial do ano. No evento de natal as várias vertentes artísticas, que durante o ano tem suas atividades específicas, se encontram: músicos, bailarinos, atores e técnicos. Uma família. Natal é momento de reunir a família.

GN – Qual a sensação de ser diretor artístico do Sonho de Natal de Canela?

Elias – É o trabalho com que tenho um grande carinho. Graças a oportunidade que tive a tempos atrás no Sonho de Natal desenvolvi minha profissão e meu trabalho exclusivamente com arte e cultura. Agora eu tenho que retribuir criando oportunidades para outras pessoas usufruírem. No Sonho fizemos um trabalho de inclusão durante o ano formando um elenco para participar da Chegada do Papai Noel.

GN – O que tens a dizer para os artistas que estão iniciando a carreira?

Elias – Sonhar é preciso. Acreditar, sempre.