Matador de facção foi executado porque passou a atuar para grupo rival

0
11473


A Polícia Civil esclareceu parcialmente mais um homicídio praticado pela facção Os Manos em solo gramadense desde o início do ano, um total de seis. O responsável pelo trabalho da corporação em Gramado, delegado Gustavo Barcellos solicitou e a Justiça autorizou a prisão preventiva (por tempo indeterminado) de dois integrantes do grupo criminoso que tenta dominar o tráfico de drogas na região por envolvimento na execução a tiros do apenado Diego Henrique Antunes Bertoldi, 28 anos.

O assassinato ocorreu na madrugada de 29 de agosto no bairro Mato Queimado. Morador de Novo Hamburgo, ele cumpria prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica e estava em Gramado na casa de familiares para se esconder porque estava jurado de morte. Ele morava com a companheira no cômodo de uma residência localizada na Rua Angelina Caberlon. Na ocasião do crime, a mulher foi retirada da casa e Bertoldi morto no interior do imóvel.

A Polícia descobriu que ele era um dos matadores de Os Manos e teria passado a trabalhar para a organização criminosa rival, Os Balas na Cara. “Apuramos por meio de informes e relatos de que ele (Bertoldi) teria ‘virado a casaca’, e com isso ficou marcado para morrer,” conta Barcellos.

Bertoldi foi morto por pelos menos quatro disparos de pistola 9mm. Os tiros atingiram a cabeça e o tórax da vítima, que chegou a ser socorrida pelos bombeiros, mas foi a óbito quando recebia atendimento hospitalar.

GERENTE DO TRÁFICO ORDENOU O ASSASSINATO

As investigações indicaram que o mandante do crime foi Andrei dos Santos Fischborn, 23 anos, vulgo Toiço e Anderson Beliske Ribeiro, 25 anos, foi um dos executores do homicídio de Bertoldi. Tanto Ribeiro quanto Toiço já estão recolhidos ao sistema prisional pela prática de outros crimes.

Toiço é apontado pela Polícia Civil como um dos gerentes do varejo das drogas em Gramado comandado por Os Manos. De dentro da Penitenciária Modulada de Montenegro ele coordena as vendas de entorpecentes e determina algumas execuções.

O bandido também foi indiciado pela morte do então cunhado, o gramadense Jurandir Trein de Moura, 35 anos, cujo o corpo foi encontrado em agosto do ano passado na Ponte do Raposo, em Vila Oliva na divisa pelo interior entre Gramado e Caxias do Sul.

Também foi preso recentemente em uma operação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) que desmantelou um braço da facção Os Manos em Gramado e na ofensiva da Delegacia de Polícia DP) do município na repressão ao avanço do bando criminoso. Segundo o delegado Barcellos, há indicativos de que Bertoldi e Toiço eram desafetos porque tiveram desentendimentos anteriores.

EXECUTOR COMANDAVA
PONTO DE TRÁFICO NO DUTRA

Já Anderson Beliske Ribeiro, que residia em Taquara foi destacado pela organização criminosa para liderar um ponto de venda de drogas na Rua Piauí, no bairro Dutra e matar Bertoldi. Ribeiro foi detido no dia 6 de setembro, oito dias após o assassinato de Bertoldi, mas por uma ação da DP gramadense no combate ao comércio de entorpecentes. “Ele (Ribeiro) foi mandado para Gramado especificamente para essas duas tarefas,” afirma o delegado Barcellos.

“No decorrer das investigações apuramos que ele foi um dos que entrou na casa da vítima anunciando que era da Polícia e participou da execução,” explica a autoridade policial. Ribeiro cumpre pena no Presídio Industrial de Caxias do Sul (PICS). Antes de ir para a PICS, o bandido estava recluso no Presídio Estadual de Canela (Pecan), mas após um início de rebelião na Pecan no dia 10 de setembro foi transferido de cadeia.

DEMAIS ENVOLVIDOS
NÃO IDENTIFICADOS

Outros dois envolvidos na execução de Bertoldi ainda não foram identificados, sendo que provavelmente residem em outra cidade, mas a Polícia trabalha para descobrir as suas identidades. Conforme Barcellos, há a possibilidade de mais pessoas estarem envolvidas na morte da vítima.

O delegado chegou a solicitar a prisão temporária (sete dias) de um outro investigado que mora nas proximidades do endereço onde Bertoldi foi executado, mas o Judiciário negou o pedido alegando que não havia elementos suficientes para a decretação da prisão do mesmo. “Ele pode ter auxiliado os executores a localizar com precisão o local onde a vítima morava,” comenta Barcellos. O suspeito também é investigado por tráfico de drogas.

ELOGIO DO DELEGADO

O esclarecimento mesmo que parcial da execução de Bertoldi foi o quinto homicídio elucidado dos seis imputados a Os Manos em território gramadense. O delegado Barcellos comemora o índice de elucidação dos casos devido a complexidade das investigações. “Envolve a lei do silêncio e falta de testemunhas. O esclarecimento destes crimes é resultado de um trabalho exaustivo da minha equipe.” elogia o delegado.

VÍTIMA MATOU CINCO

Nascido em São Leopoldo Diego Henrique Antunes Bertoldi já havia sofrido um atentado em Cidreira, cidade onde também buscou esconder-se. Depois, mudou-se para Gramado onde acabou sendo morto. A Polícia descobriu que ele era um dos soldados de Os Manos. Na sua ficha criminal constam cinco indiciamentos pela prática de homicídios, porte de arma de uso restrito, roubo qualificado, tráfico de drogas, associação para o tráfico entre outros delitos.

POLÍCIA AGUARDA
PERÍCIAS EM ARMAMENTO

O sexto homicídio atribuído a facção criminosa ocorreu na Linha Carazal, no interior de Gramado, na noite de 8 de fevereiro, onde Valdir da Silva Santos foi alvejado por cerca de 22 tiros de pistola 9mm. Santos pode ter sido morto por engano. A DP gramadense tem uma linha de investigação definida e alguns suspeitos para o crime, mas o delegado Barcellos aguarda a realização de perícias que foram solicitadas em armamentos apreendidos durante ofensivas desencadeadas pela Polícia Civil em repressão a Os Manos.

Nas cidades de Parobé e Novo Hamburgo, a corporação conseguiu provocar baixas no poderia bélico da facção, recolhendo diversos fuzis 556 e pistolas 9 mm (inclusive adaptadas para rajadas). “Por isso, acreditamos que uma dessas armas podem ter sido usadas na execução no Carazal,” disse o delegado.

Uma pistola apreendida com um criminoso que praticou uma execução no Altos Viação Férrea também deverá passar por confronto balístico. Conforme Barcellos não há prazo para a realização das análises técnicas devido a grande demanda represada do Instituo Geral de Perícias (IGP). O armamento apreendido é de uso restrito das forças armadas e de segurança pública.

Anderson Ribeiro foi enviado para Gramado para comandar boca de tráfico e matar Diego Bertoldi. (Foto: Polícia Civil/Divulgação)