Maria Alice

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Das várias formas de vida, uma é extraordinária. Ao que se busca como sucesso, pouco se faz prioritário. Mas, de pueril verdade, uma Maria diferente. Dois nomes, duas metades de um só amor. Nome dado ao máximo de carinho.

Maria Alice não tinha muitos amigos; ao que concerne acerca de sua biografia. Mas também, com poucos dias de vida, fora viver com a mãe. Uma experiência difícil. Sem muito dinheiro com que se sustentar. Fora um período de cortes. Gastos, só o necessário. Comida, controlada. E, diversão… bem… isso se abstém.

Conta-se ainda uma divertidamente aula de inglês. A “teacher”, muito brava. Sempre que escrevia no quadro negro de xadrez esbranquiçado, Maria tremelicava de tal maneira como se o estouro entre o pedaço de giz branco com o madeiro assoviasse estridentemente. Um soar acutíssimo que o “red” transcendia em seus delicados ouvidos.
Desde sua infeliz infância desbravara às notas mais elevadas. Como sua classe social não lhe permitia acesso ao ensino superior, sempre estudara de todo esforço possível. Todavia, não havia pestanejar quando tratar de docilidade e sutileza. Muito delicada com seu material. As folhas brancas eram usadas para anotar as advertências de seus docentes. Pois, a final, esforço sem auxílio é irrelevante perante uma mesa de cobranças infindáveis de Matemática e Química. As mais rasuradas serviam de rascunho para estudar em seu recinto particular.

Em suma, enfrentara a si mesma. Vira que a classificação sem merecimento não produz frutos. Tais de competência, outros de humanidade. Saberia no final que tudo não passou de um lindo sonho. O cantar dos Canários. O soar dos ventos. O calor do Sol em seu rosto. E, mais uma vez. Um sonho. Maria Alice.

Uma lembrança de um velho amigo.

Dieison Barcarolo