Magnetismo

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“algo de errado não está certo,
meu caro amigo tiktoker.
você quer dizer que eu também sou culpado por essa merda toda?”
“você não é o criador do problema, Robledo
você passa o bastão dentro de um enorme círculo fechado”
“cara, eu tô falando com o Humberto e não com você”
“é isso mesmo que o João disse, Robledo
eu não explicaria melhor”
“pô, valeu.
eu penso que se os caras do lago
nos veem como vilões
nós também colocamos a questão de um jeito parecido
tipo: taxamos eles de ‘x’,
com o desejo que eles não circulem mais por aí. nós
não fazemos o exercício sincero de entender o que
faz com que esses caras Ajam dessa maneira, percebe?
mas aí,
vocês não ‘tão sabendo que tá rolando um jogo na cidade hoje?
tem uma galera programadora
que fica usando a capa da Akatsuki pra cima e pra baixo
que organizaram um evento velado chamado ‘Noite Estranha’.
NÃO. não acredito! vocês não estão sabendo?!”
“oi? você não falou nada e ainda estava voltando pra casa?”
“ué, eu ia trocar de roupa
que é uma das chaves para entrar na jogada;
e sim, vocês são muito fresquinhos.
por que eu iria chamar vocês?
se não tinha rolado é porque não era pra ser, sacou?”
“que babaca!”
“mas non, ménha kerita! é a lei da atraçón!”
“não acredito, João, eu não acredito.”
“Thelma Thelminha, a irmã do Bacana fez o convite pro povo
e agora, graças aos malucos do lago,
a gente se juntou aqui, fechô
só precisamos nos vestir de duende, o que é
relativamente simples, e boa, bora lá pro centro”
“cara, como assim?!”
“é, a gente passa no mercadinho perto do postão
compra uns chapeuzinhos de aniversário e pronto. bora?”
“Jão, e a bizarrice que tá lá fora, machucando a pele?”
“hum, cê tem razão, rolou a tempestade solar e…
havia uma chance de bugar satélites,
os sistemas de comunicação e de eletricidade”
“não, tá demais, não dou conta”
“Thelma, vai dizer que você não deseja o caos?
que lá no fundo você tem raiva
e prefere a ruína ao invés de assistir à miséria instituída?”