Gramado conta com protocolo para acompanhamento de sífilis congênita e em gestantes

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No total, cerca de 60 profissionais participaram das duas edições. Foto: Manuela Teixeira.


Em uma iniciativa até então inédita no município, Gramado conta a partir de agora com um protocolo para garantir maior eficácia no acompanhamento de sífilis em gestantes e sífilis congênita – que é quando ocorre a transmissão de mãe para filho – e das crianças expostas à doença.

O Protocolo Municipal para Diagnóstico, Tratamento e acompanhamento de Gestantes com sífilis, sífilis congênita e crianças expostas à doença, criado pela Prefeitura Municipal e pela Secretaria da Saúde, foi apresentado em duas edições de uma capacitação para profissionais da área que ocorreu na semana passada. O curso foi ministrado pela médica ginecologista Marjorie Manente, pediatra Marcia Figueiredo e pelas enfermeiras Carla Rolao e Marcia Picolotto. No total, cerca de 60 profissionais participaram das duas edições.

Em Gramado, somente em 2018 foram detectadas 19 gestantes com a Doença Sexualmente Transmissível (DST). No ano passado foram sete e, em 2016, seis notificações, o que representa um acréscimo de 216% em dois anos. O protocolo estipula que todos os casos de sífilis sejam de notificação compulsória e devem ser acompanhados por até dois anos, portanto, as equipes chamarão para avaliação médica e exames todas as gestantes e bebês do SUS que tiveram este diagnóstico nos últimos dois anos. As crianças devem fazer exames e também passar por avaliação oftalmológica e audiológica.

“A notificação é obrigatória de acordo com a portaria 204 do ministério, todos os profissionais são obrigados a notificar, mas a população pode também comunicar a vigilância. Estes dados são fundamentais para sabermos qual a real situação da população, permitindo que a gestão faça intervenções através de politicas públicas que melhorem o acesso, os tratamentos e a saúde como um todo.” ressalta a enfermeira Ellen Pedroso.

O documento foi criado por uma equipe multidisciplinar da Secretaria da Saúde, e capitaneado pela Vigilância Epidemiológica, que analisou exaustivamente todos os protocolos do Ministério da Saúde, além de seguir a experiência de outros municípios que já usam o mesmo sistema, como Caxias do Sul. As diretrizes também foram debatidas com a equipe da maternidade e controle de infecção do Hospital Arcanjo São Miguel e da Atenção Básica, tendo em vista o aumento nos casos de sífilis congênita e sífilis em gestante no município.

Os testes para sífilis, HIV, Hepatite B e Hepatite C podem ser realizados gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde, sem necessidade de encaminhamento médico, bastando apenas agendar horário na recepção dos postos. Os quatro exames são feitos no mesmo momento, com apenas uma picada no dedo. “A iniciativa de lançar o protocolo vem ao encontro do que preconiza a nossa gestão municipal, que é cuidar da nossa população ofertando um serviço público de qualidade, capacitando profissionais e aprimorando o atendimento”, destaca o Secretário da Saúde, João Teixeira.

SAIBA MAIS SOBRE A SÍFILIS
(Dados fornecidos pelo Ministério da Saúde – Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais)

É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Podem se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença.
Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer. O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores).

Formas de contágio
A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenir-se contra a sífilis.

Sinais e sintomas
Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre sete e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz. Mas a pessoa continua doente e a doença se desenvolve. Ao alcançar um certo estágio, podem surgir manchas em várias partes do corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.
Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte.

Diagnóstico
Quando não há evidencia de sinais e ou sintomas, é necessário fazer teste rápido ou exame laboratorial.

Sífilis congênita
É a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão da doença em cerca de 86% dos casos, justificando a série de exames que o bebê de gestante com sífilis deve fazer ao nascer.

Sinais e sintomas da sífilis congênita
A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.

Tratamento de todas as formas da sífilis
Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção da mulher. No caso das gestantes, é muito importante que o tratamento seja feito com a penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê. Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se ele tiver sífilis congênita, necessita ficar internado para tratamento por 10 dias. O parceiro também deverá receber tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.