Fusão

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[no jogo:] estávamos de frente, só faltava
sair pela porta e entrar no universo de lunáticos musicais
Ok, nada daquilo fazia sentido, ir, sair era a única coisa
que se podia fazer.
acontece que quando fomos sair
a pele começava a arder mesmo estando escuro
Da sala até o portão dava vinte e um passos
e nós não suportamos percorrer nem a metade do trajeto
tava um inferno:
cada um falava uma coisa diferente sem cogitar a possibilidade
de ouvir o outro
eu não sabia o que pensar,
só sentia raiva daquela discussão sem fim
daquela gente desnorteada e cheia de certezas
“eeeii!” gritei alto
de repente, todos se voltaram para mim
“desse jeito fica difícil de pensar em uma saída, caramba
e se a gente ouvir um de cada vez?”
“é verdade, não dá para pensar assim
com todo mundo falando junto”
“pode ser?
começa você falando o que você acha melhor fazer”
“eu acho melhor testarmos umas hipóteses
para termos certeza do que estamos fazendo
por exemplo: o que machuca está vindo do céu?
dá pra testar com um guarda-chuva”
“cara, e se for para ficarmos aqui na sala?”
“não, eu…”
“vez de outra pessoa. diga”
“olha, gente, por que a moça falou das pessoas lá fora?
por que é lá que tá a chave do Hotel California, gente”
“você”
“é justamente esse o ponto,
precisamos ouvir essa música para saber
exatamente qual é a nossa situação”
“aí é a gente que vai virar um zumbi monossilábico!
essa música gruda pra valer”
“tá, nossa, vamos ver a letra então”
“eu quero dar uma sugestão antes
já que cada um tem a chance de fala”
“claro, diga”
foi aí que ele virou nossa chave:
“até onde eu sei
houve uma transformação das energias aqui
antes da gente chegar”
“é mesmo!”