Existem ex-maridos, ex-mulheres e ex-sogras e afins, mas não existem “ex-filhos”

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Existem ex-maridos, ex-mulheres e ex-sogras e afins, mas não existem “ex-filhos”. Assim se inicia este artigo. Uma comprovação exímia da vida real. Ou melhor, das circunstâncias imutáveis da vida. Mas, será que esses são os bons ou são maus? Será que por sua singularidade familiar e adjetiva são destituídos de mácula? Não basta apenas a unicidade e prioridade, haverá sempre uma boa mãe ou um bom pai. Haverá sempre aquele ou aquela que permitirá a ofensa sofrida, permitirá a dor irrepreensível. Entanto, ainda que poucos, há os bons.

Os bons primogênitos que vivem a dedicar sua vida a mãe ou pai. Que orgulham e permitem que outros possam viver melhores. Mas, as perguntas sempre perpassarão por estas linhas. Como será que estamos sendo? Será que permitimos que o outro viva sua vida e busque sua felicidade? Fato é: não existem “ex-filhos”. Conhecemos órfãos de pais, mas há órfãos de filhos? Aqui a pergunta se volta de tal forma que os pais e mães perpassam o meio e o ápice da vida.

A vida humana é uma incógnita diária. Não sabemos dia de amanhã, muito menos o depois. Temos ciência das nossas próprias escolhas, ou deveríamos. Mas, ainda assim, a anatomia e ciclo da vida são as surpresas de cada dia. Para alguns, presente divino, para outros destino ou acaso e, para outros ainda, apenas uma inconformidade com o tempo. Somos importantes para alguns, essenciais para outros e inevitáveis na vida deles. Enquanto somos presentes do destino ou divino, somos únicos. Os únicos a respirar sabendo que estamos respirando. Os únicos a amar, sabendo que estamos amando. Sabemos que somos singulares, mas na falta somos até substituídos. Porém, nossa lembrança se torna presente ao longo do tempo, ao longo da vida deles.

E, por fim, há alguma resposta para nossa primeira pergunta? Uma variante diária que, conforme a necessidade, os bons podem se tornar os mesmos maus. A segunda já é totalmente oposta a primeira. Pois, como bem nos lembra um velho ditado mãe é mãe e pai é pai. Com mácula ou sem mácula, os filhos são únicos na vida de seus pais.