Especial Dia das Mães: Um motivo para sorrir entre tantas dificuldades

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Daiani e seus filhos, Rafaela, Renato e Ana Clara. Foto: Arquivo Pessoal.


Com as escolas e creches fechadas desde o dia 23 de março, devido a pandemia causada pelo novo coronavírus, milhares de mães foram demitidas ou afastadas do emprego. A situação não foi diferente para Daiani da Silva Sartori Schneider (37) e Marli Maria Dias (50). Daiani que trabalhava como secretária em uma academia, precisou sair do emprego para cuidar do Renato (14), Ana Clara (11) e Rafaela de 1 ano e 9 meses. “Antes da pandemia, trabalhava como secretária do marido, na academia que ele dá aula. Como diminuiu o movimento, agora ele nem tem como me pagar”, conta ela.

Para Marli a situação se tornou um pouco mais complicada. Logo quando foi decretado o fechamento dos hotéis, Marli que trabalhava em um dos hotéis da cidade foi demitida. A recomendação de isolamento social para os idosos também agravou o caso. “Meu pai cuidava dos meus filhos, mais fui despedida do hotel, agora estou em casa cuidando dos meus três filhos: Maria de 10 anos, Júlio com 13 e a Manu de 18 anos”, explica a mãe.

Mesmo com os desafios, medos e incertezas vividas neste momento, onde além dos cortes financeiros, ainda há a necessidade de lidar com as questões ligadas a pandemia causada pelo Covid-19, as duas mães estão sabendo se adequar ao momento e até perceber um lado positivo em meio à crise.

“Agora temos tempo”

É o que revela Daiani, quando conta que mesmo precisando pensar em várias atividades para ocupar a rotina dos filhos, visualiza o lado bom desta situação. “Temos tempo para fazer coisas juntos, jogos, assistir programas juntos, temos tempo para orar juntos e muitas outras coisas que nunca fazíamos juntos antes. Agora temos tempo”, diz ela.

A mãe reconhece que antes da pandemia a situação financeira da família era mais estável. “Depois de tudo isso, meu marido quase dois meses sem poder trabalhar e receber, passamos por um grande aperto, e hoje nossa realidade é outra, estamos aprendendo a viver com o que temos, e realmente a valorizar o mais importante: Deus, família, amor e saúde. Dinheiro precisa sim para o essencial, mas não para supérfluos”.

“Tenho que cuidar de quem amo”

Marli com os três filhos, Manuela, Júlio e Maria. Foto: Arquivo Pessoal.

Mesmo preocupada com a condição econômica da família, sabendo que só poderá trabalhar quando os filhos voltarem a frequentar a escola, Marli também sente que está tendo a oportunidade de cuidar e ficar mais próxima dos filhos. “Eu nunca imaginava ficar sem trabalhar, sempre batalhei pra não deixar faltar nada para os meus filhos, mas esta fase de ficar em casa com eles está sendo bom por um lado. Claro, queria estar empregada, mas este momento de estar junto, fazer almoço, janta e sentar juntos, conversar, isso está sendo maravilhoso. Eu não tinha tempo pra eles, agora tenho que cuidar de quem amo”, conta ela.

A força e a fé de uma mãe

Diante do momento delicado que o mundo passa, com desafios dia após dia para driblar todas as dificuldades, essas mães mostram o quanto a força, a garra e a esperança que carregam consigo fazem diferença neste momento. Segundo Daiani, essa garra é passada de geração para geração. “Essa garra pra mim vem primeiramente das nossas mães, avós… que já vinham nos ensinando que somos fortes e lutadoras. E esse sentimento nos faz lutar ainda mais quando é para o bem dos nossos filhos”. A mãe do Otávio, da Maria Clara e da Rafaela que agora está produzindo pães caseiros para ajudar no orçamento da família, conta que está situação tem lhes trazido aprendizados. “Estou aprendendo muito com tudo isso e minha família também, estamos aprendendo a ter mais paciência, companheirismo, humildade e a amar mais o próximo, esperamos sairmos muito melhores de tudo isso, e sim, mais humanos”.

“Tenho muita fé e acredito que logo tudo isto vai passar. As crianças vão voltar as aulas e eu vou voltar trabalhar”, diz Marli de forma esperançosa.

O momento exige “relações de troca”

De acordo com as psicanalistas Sabrina Barbosa Sironi e Soraya Abdalla Mhamed Maihub a situação atual pede relações de trocas, que nada mais são do que as relações de trabalho. “No entanto, o momento atual trouxe à tona o quanto precisamos uns dos outros. Seríamos todos beneficiados se as pessoas, empregados e empregadores, pudessem chegar a um denominador comum, afinal todos precisam do trabalho: aquele que é feito por quem trabalha e o trabalho dos que precisam que ele seja realizado”, explicam as profissionais.

Para as profissionais existem duas questões a considerar na atual realidade: “Por outro lado seria interessante evitarmos situações de stress desnecessário, pois ele é nocivo, sempre foi, e agora mais do que nunca, é algo que faz mal à nossa saúde. Já estamos todos em uma circunstância difícil. Todos precisamos preservar nossa Saúde”, colocam. As psicanalistas apontam que a recomendação vai no sentido de que se preserve a vida, em primeiro lugar, e que se possa fazer negociações, flexibilizar, de um lado e de outro. “É necessário que os estabelecimentos funcionem, mas sem pessoas com saúde não se pode mantê-los com qualidade e de forma justa”, levantam.