“Era uma quadrilha altamente armada com indivíduos de alta periculosidade”, diz delegado

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Em sítio localizado em Glorinha e em poder dos assaltantes, a Polícia Civil recolheu armas, miguelitos, coletes balísticos e outros materiais. Fotos: Polícia Civil.


Fim da caçada em Gramado aos criminosos que provocaram terror e pânico na cidade entre sexta-feira, dia 1º, e domingo, 3 de novembro. A Polícia Civil encerrou as buscas ao oitavo bandido que estava envolvido nas tentativas de roubo e sequestro de um empresário de 70 anos de idade do segmento alimentício, mas segue apurando o caso para descobrir e identificar outros possíveis envolvidos no ataque ao empresário e também a outro empreendedor do ramo moveleiro que ocorreu entre os dias 22 e 23 de outubro. Por isso, os fatos deverão ter novos desdobramentos.

BRIGADA ASSUME AS BUSCAS

Agora, está a cargo da Brigada Militar (BM) o cerco e captura do bandido que está em fuga por uma vegetação da estrada que leva ao Parque do Caracol, em Canela. Um total de 130 servidores da BM procuram pelo assaltante.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira, 4 de novembro, o titular da DP de Gramado, Gustavo Barcellos e o responsável pelo trabalho da Polícia Civil na região, delegado Heliomar Franco revelaram o perfil e a forma de atuação da organização criminosa que articulou-se para cometer graves crimes em Gramado, como os dois ataques aos empresários.

O bando era liderado por dois irmãos, sendo que um está internado no Hospital São Miguel após ser baleado durante confronto com policiais civis na noite de domingo, dia 3, no bairro Avenida Central próximo a um posto de combustíveis e o outro tenta escapar da ofensiva montada pela Brigada na área do Parque do Caracol, em Canela.

ASSALTOS A BANCO E ROUBO A CARRO FORTE

O grupo criminoso era oriundo da Região Metropolitana e do Vale do Paranhana, sendo formado por membros da mesma família e por pessoas próximas. Conforme Barcellos, os materiais aprendidos até o momento indicam que a quadrilha praticava assaltos a banco, roubo a carro-forte e assaltos de grande vulto em residência. “Então, era uma quadrilha altamente armada com indivíduos de alta periculosidade”, resumiu Barcellos. Os dois irmãos que chefiavam a quadrilha possuíam uma borracharia em Sapiranga. “Ainda não se sabe se é um negócio de fachada ou se realmente, eles atuam neste ramo,” diz o delegado Heliomar Franco.

“Na verdade, esses cidadãos são assaltantes de alta periculosidade, de uma personalidade antissocial incrível, de uma ausência de valores inacreditável. Quando eles foram praticar o crime contra o segundo empresário, como eles não acharam valores na casa, alguma coisa eles tinham que levar embora, então começaram a roubar as criações que haviam na propriedade, como a de ovelhas,” conta o delegado. “Eles tem uma compulsão de tomar os valores dos outros e não se importam de confrontar as autoridades, inclusive reagem armados, mesmo que tenham que matar alguém,” acrescenta Franco.

NOVOS CRIMES

A Polícia Civil está convicta de que a organização pretendia realizar novos crimes.

“Evidente que planejavam outros roubos, eles vivem de roubos a muito tempo, não posso te afirmar que eles cometeriam novos roubos em Gramado, mas é uma quadrilha que por todo o aparato que aprendemos, incluindo dez veículos, é certo que está quadrilha que tiramos de circulação ainda cometeria muitos assaltos dessa natureza ou até mais grave do que estes. Este aparato indica que esta quadrilha também atuava em assaltos a banco e carro-forte,” destaca o delegado Barcellos.

O aparato, que tinham a disposição para investidas patrimoniais, aponta que os bandidos que aterrorizaram Gramado neste fim de semana era especializado no mundo crime. “Eles estão tão acostumados a ficarem ‘embretados’ neste tipo de ação, que eles tem todo um sistema de resgate pronto. Tem cinco ou seis pessoas que eles sabiam que podiam se socorrer, essas pessoas sabiam como chegar nas cidades para buscá-los e tirá-los onde havia cerco policial,” destaca o delegado Franco.

MÉDICO SERIA CONTRATADO PARA TRATAR BALEADO

Até mesmo um profissional de medicina seria contratado para cuidar de um dos bandidos que foi ferido caso o resgate dele ocorre-se com êxito. “Inclusive havia a possibilidade da contratação de um médico para atender um dos assaltantes que foi baleado em confronto no sábado a noite”, revela o chefe da Polícia Civil na região, delegado Heliomar Franco.

44 QUILOS DE EXPLOSIVOS ESCONDIDOS EM SÍTIO

Investigadores descobriram no domingo, dia 3, que os dois irmãos que chefiavam a quadrilha possuem uma propriedade na área rural de Glorinha. No local foram recolhidos pela Polícia 44 quilos de explosivos, um veículo clonado que foi usado no resgate do assalto ao empresário do ramo moveleiro no Centro de Gramado, “miguelitos’, toucas ninjas, três coletes balísticos, o cofre roubado na investida contra o empresário da indústria de móveis, e outros objetos vinculados a quadrilha que eram empregados em grandes ações criminosas.

Na traseira do veículo cujo o modelo não foi informado pelas autoridades policiais, havia uma placa de aço que funcionaria como uma blindagem.

Das sete pessoas detidas até o momento, três são mulheres e quatro homens. Entre o grupo que está preso, dois dos homens foram executores dos dois delitos. Os demais, tentaram resgatar seus comparsas em duas oportunidades diferentes.

INVESTIGADOS PELO DEIC

Alguns dos bandidos detidos são suspeitos de cometerem uma extorsão mediante sequestro em Santo Antônio da Patrulha. Eles já estavam sendo investigados pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). As identidades dos membros da organização criminosa não foram divulgadas pela Polícia Civil.

Veículo encontrado na propriedade rural dos chefes do bando, era equipada com a placa de aço para funcionar como blindagem.

Polícia encontrou em um sítio localizado em Glorinha, que pertence aos líderes da quadrilha, 44 quilos de explosivos.

Toucas ninjas, armas, celulares, rádio comunicadores e até mesmo uma sirene foram apreendidos em propriedade rural da quadrilha.

Cofre subtraído da residência do empresário do ramo moveleiro, que foi uma das vítimas dos ladrões, também estava no sítio em Glorinha.

Quadrilha guardou objetos que pertenciam as vítimas do assalto ao empresário da indústria moveleira.