ÊPotira

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Jorge, o místico:] “os olhos cotidianos não conseguem ver,
segundo os sufis,
aquilo que se chama de milagre
porque se espera algo espetacular,
um desvio sem precedentes,
no curso natural do mundo sensível.
também não se sabe das razões de um milagre,
qual é o seu fim ou começo

ele nutre os beneficiados, os influencia e avalia

a maioria de nós se pauta em uma lógica reducionista
na qual tudo é duro e sem graça;
no máximo, enxerga coincidências aqui e acolá.

quando iniciamos a Chama-Rita,
esse jogo aqui,
o Climatempo anuncia a chegada de um ciclone marítimo –
é Potira, a flor em Tupi, que agita nossos mares.
qual influência isso tem sobre nós?
a qual teste fomos submetidos?

a mística, quando revelada, se torna poética;
é o fazer do universo, um artista à sua maneira

em meio a tantas partidas, a tanto sofrimento,
eu quero oferecer mais que uma flor
mais que um frisson.
meu amor não será o bastante se eu não agir
se eu não reinventar esse modus operandi.
mas como?

o que alguns chamam de magia ou de subversão
eu chamo apenas de natureza
algo que alguns físicos já explicam

apresento-lhes, pois, Rita, a nova Pandora, ela,
a luz dos brincantes, mestra das coincidências
cujo o fim de seus feitiços é tão somente o amor”