Em silêncio pantonoso

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Não há maior angústia que o silenciar ou ser silenciado
É separar a si de si mesmo
É não mais viver, não mais falar, não mais amar

Não há maior dor que o silêncio mudo de uma alma
Não há maior tristeza que ser desprezado
Pela própria vida e não mais ser falado

O silêncio, pra quem fica,
Entristece, emudece
O silêncio pra quem silencia se esvai, se alucina

Em silêncio pantonoso
Neste brejo de poucas águas
Aqui me despejo, aqui me afago

Em silêncio pantonoso
Como quem não quer nada
Apenas fico a observar a noite enluarada

Oh infame alma despojada,
Que despeja sua alma e degrada
Sob a luz das estrelas e da lua

Volta para cá de onde havia saído
Volte para os sons donde havia perdido
Volte para o chão que havia partido

Oh infante alma de sorriso mouro,
Perca-se em si mesma para lhe encontrar
Receba de mim seu maior brilho

Receba de mim as palavras
Receba de mim seu maior presente
Receba de mim uma palavra que sente!

Sinta-se acolhida em meu coração
Sinta-se recolhida em minha canção
Sinta-se você, viva em minha razão!