E agora José?

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E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

(Carlos Drummond de Andrade, E Agora José?)

E agora José, Maria, João, Gertrudes, Ignácio, você e qualquer outro, e agora? As eleições acabaram por aqui, as campanhas acabaram por aqui, as promessas acabaram por aqui, tudo acabou por aqui…, mas, e agora? O que vai continuar? O que podemos esperar? Há o que prever? Será que a mesma coisa de sempre não vai acontecer?

E, se fingíssemos que ainda estamos em pleito eleitoral? E se fingíssemos que as campanhas ainda continuam e, ao invés de 2º Turno decretamos enésimos turnos? Se, porventura das circunstâncias, neste período de turnos e retornos, nossos representantes passassem por aqui? E, se a festa que acabou voltasse para o próximo domingo para iniciar as campanhas em nossas casas e cozinhas?

E agora José, Janaína, Jurema, Jurandi, Joca, Josias, Joviane, você e qualquer outro, e agora? Ainda há tempo para “acampanhar” … ainda há tempo para fazer versos e contar causos nos portões lá de casa. Ainda pode chegar e bater palminha e me dar um santinho. Ainda pode prometer me conhecer e se sentar na minha cozinha. Ainda dá tempo para voltar a votar… quem sabe assim, você, candidato ou candidata, se lembre que estou aqui…

Dieison Barcarolo