Coroamento

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as ruas disformes
viram em quarteirões
sem esquinas

não consigo explorar
no automóvel que me leva
o ar não ventila

olho ao longe
há um colégio branco
vazio
o que eu poderia ter aprendido?

o lugar é enorme, a
pintura está gasta
e o céu nublado pesa de um jeito
de que não vai chover

em frente há uma árvore
imensa
com poucas folhas

foco por um segundo
essa cena como um cine impressionista
mas o automóvel logo se afasta
e para no destino, um estacionamento
sei que devo ir para o campo

saio do carro
e sigo a pé
muita gente caminha p’ra lá
apesar de tudo

encontro Augusto careca
a Bruna e a Karla de Artur
(qual o porquê? como estarão agora?)

a distância parece aumentar
preciso entrar num ônibus
p’ra chegar lá

um desconforto me invade
não sei onde me sento

de todos que me afastei
tentando ser outra pessoa
e de todos que eu machuquei
tentando ser desesperadamente
eu mesma
resta um mudo remorso

e acordo naturalmente
isolada