Coisas que só um cumprimento tem

0
370


Passar pela rua ou pela calçada é tão comum quanto ficar à janela olhando o movimento dos carros, dos vizinhos e dos cachorros. Coisas que só assim são feitas se acompanhadas à janela. Se a naturalidade que alguém se denota na vizinhança é se dou meu “oi” mais de uma vez na semana. Não podendo esperar muito em troca, apenas “opa” ou um adeus me é satisfatório. Gestos simples, ou melhor, apenas um gesto sem muitas palavras. Às vezes, nem som é percebido, apenas as mãos ao céu acenando para um conhecido qualquer. Tão curioso ainda que não é necessário conhecer o outro. Apenas, devotamente, um adeus gesticulado num levantar de mãos.
Depois de seus minutos à janela, percebe que é dia. Percebe que há um sol. Dá-se conta que o tempo está aberto. Nota o portão de casa rangendo entreaberto. Sente em seus braços arrepios ao toque suave do vento. Um sopro que dá de prancho em seu rosto e tudo, todos os minutinhos que já havia angariado esmerilha-se em seus dedos. É tudo tão rápido que não percebe que ainda está lá… lá onde seu corpúsculo não lhe consegue acompanhar… lá, onde sabe que poderia ser… lá, onde o aqui e agora possa ser seu bom lugar.
Coisas que só um cumprimento tem. Coisas que só à janela, tudo pode ser vivido, lembrado ou memorado. Coisas que num piscar de olhos tudo pode acabar, ou tudo pode acontecer, ou que tudo pode voltar… Coisas que só um cumprimento tem…

Dieison Barcarolo