Checkout

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[no jogo:] “tem uma coisa que eu não entendo
nessa música: o cara pode fazer checkout
quando ele quiser, mas ele nunca pode sair?”
“isso me parece uma dívida, saca? a pessoa entra na parada
achando que tá tudo bem, no lucro, aí vai ver
é a maior roubada, tipo esses moleques que entram pro tráfico
pra tirar uma grana e não conseguem sair mais
porque estão enrolados até a cabeça”
“é, parece mesmo. a mulher que recebe o cara
no Hotel California tem uma coisa com carros e joias, né?”
“realmente, Ana, essa fixação da mulher
reforça a ideia de dívida. e é uma fixação que vai
além da Tiffany e da Mercedes Bens; tem aqueles caras
que ela chama de amigos que ficam dançando
como se estivesse tudo bem”
“verdade, Minnie, e tem aquela parte que fala do doce verão
dando um ar maneiro, junto com champanhe no gelo
todo descolado, mas eles estavam f*didos, presos, tentando matar a besta”
“agora sou eu que vou tacar a foca na parada:
até quando vamos ficar nessa conversinha mole?
a gente precisa pensar na saída dessa car*lha!”
“cê tem razão, Robledo,
mas acho que o Thiago trouxe o ponto chave
pra sairmos dessa. não tá claro que eles se venderam?
a mulher disse pro cara com todas as palavras:
eles estão presos por conta própria.
o negócio é pagar a dívida e meter o pé na porta,
entendeu?”
“então explica a fala do maluco no fim da música”
“tá, vamos pensar. checkout é a oficialização da saída;
a pessoa confirma que não está usufruindo dos serviços e o hotel
não se compromete mais a acolher o hóspede.
então o cara pode dizer ‘tô fora, não quero mais’,
mas não pode sair daquele esquema. acho que é isso”
“nossa, Ana, perfeito!”
“é, tá bem na linha do que disse”
“mas saca só, Thiago, aquilo não é bem um hotel
é um esquema. o porteiro deu a pista:
nós estamos programados para receber.
programação? que p*rra é essa?!”
“Bela… [Jorge, com o olhar vazio, levanta a mão direita à sua frente
na altura da garganta, com a palma para baixo]
veio uma imagem agora que… faz todo sentido.
pensa em dívida e lucro como partes de uma peça, na qual
a dívida seria o buraco e o lucro o pino protuberante,
fazendo que uma peça se encaixasse na outra, formando
um grande polvo articulado, juntando mais e mais.”