Centro de Saúde da Várzea será chamado de Carlos Altreiter Filho

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A secretária prevê que em menos de dois anos a obra estará concluída. Renderização: Beto Scholz.

Foi aprovado, por unanimidade, na noite de hoje (12), o projeto de lei de autoria da bancada do MDB, formada pelos vereadores Everton Michaelsen e Renan Sartori que denomina a nova unidade básica de saúde da Várzea Grande de Centro de Saúde Carlos Altreiter Filho.

Histórico

Carlos Altreiter Filho nasceu em São Sebastião do Caí, em 23 de Abril de 1892, filho de Carlos Altreiter e Guilhermina Altreiter.  Casou-se com Helena Augusta Mantey em 03 de Outubro de 1914 em Nova Petrópolis (22 de Agosto de 1893 – 07 de Outubro de 1981), com quem teve cinco filhos: Theobaldo, Wilma (casada com Theobaldo Gross), Elsa (casada com Miguel Bezzi), Erna (casada com Crescêncio Till) e Alsino, casado com Lony, sendo apenas os últimos dois vivos, contando com 87 e 84 anos, respectivamente.

Sua relação com Várzea Grande e Gramado iniciou em 1926, quando passou a residir no Bairro (à época colônia próspera do Município), após uma passagem como agricultor por alguns anos na “Linha Marcondes” e em seguida como comerciante, em Nova Petrópolis, onde foi um dos fundadores e auxiliou com muitos recursos na construção da Igreja Evangélica Luterana de “Nove Colônias”.   A “Casa de Pedra” onde residiu e trabalhava no comércio com seu pai e irmãos ainda hoje está lá edificada, servindo de local de visitação e turismo ao Município vizinho.

Em 1934 assumiu a gerência da então Cooperativa Agrícola Várzea Grande Ltda., logo passando ao cargo de diretor comercial.  Anos após, com a extinção da cooperativa, adquiriu e passou a atuar em seu comércio, na época mais conhecido como “armazém”, local em que auxiliou a fomentar muito o comércio da Várzea Grande e toda a região. Mais tarde o comércio veio a ficar nas mãos do filho Alsino.

Trabalhando sempre pelo desenvolvimento da comunidade, atuou para a Companhia Cervejaria Brahma entre os anos de 1930 e 1964, sendo que para este representante tinha como objetivo convencer os agricultores, porque não colonos (pois viviam todos na colônia) a plantarem cevada, e na época da colheita ia aos entrepostos do Município, com balança de precisão, calador, determinava o valor da cevada, a adquiria e enviada pelos vagões de trem à capital Porto Alegre, mais tarde por caminhões, à maltaria no Bairro Navegantes (hoje AMBEV).  Lembram os mais antigos que havia a família Altreiter que buscava convencer os colonos a plantar cevada, que era mais lucrativa, enquanto a família Bisol (que possuía moinho de trigo) buscava demonstrar os colonos que esta era a plantação que daria mais retorno.

Também antes do início das indústrias Balzaretti, foi o Sr. Carlos o representante/distribuidor dos produtos da cervejaria Brahma para toda a região de Gramado.

Ainda, na época, era o responsável por uma estação experimental da Brahma (hoje no morro onde fica a Vila do Sol) cuidada pelo genro Crescêncio, que funcionava da seguinte forma: se faziam canteiros das diversas sementes de cevada de variados locais do mundo, e aquela que desse o melhor resultado, melhor qualidade, seria a que no ano seguinte se distribuía aos agricultores do Município, aliás, não só do Município, indo a distribuição até ao hoje Município de Rolante e Riozinho, para plantação da cevada.

Também foi representante comercial da empresa Adubos Manah, por um tempo menor das indústrias Luchsinger Madörin S/A (Adubos Trevo) e do Frigorífico Rizzo S/A, de Caxias do Sul, entre outras menores.

Lembra-se muito dele no desenvolvimento da Várzea usando o trem.  Ia a Porto Alegre levar produtos dos agricultores e trazer mantimentos de volta.  Era muito comum na época o sistema de troca. Atendia a todos os agricultores das localidades de Carahá, Moreira, Serra Grande, Quilombo, enfim, todas as colônias da região.  Possuía um armazém muito forte, então recolhia os produtos dos colonos, comprava, e levava a Porto Alegre, de lá trazendo mantimentos e mercadoria, também de trem, na época, todas ensacadas.

Quando da safra, também adquiria a fruta de marmelo em toda a região, a qual era revendida para empresa Vontobel, para o fabrico de geleias.

Ainda, curioso a ser salientado que na época o armazém se identificou muito com a compra da flor de piretro, adquirida de todos os colonos, em inúmeros sacos, e revendido as indústrias a Cidade mãe de Taquara, as quais eram utilizadas para fazer inseticidas.  Grande comércio na época.

Foi um desbravador à época, em que a grande parte da população vivia no interior do Município.  Conheceu muito cedo Porto Alegre, primeiro pelo trem e pelo comércio e após por caminhões, levando os produtos e trazendo mercadorias em troca para serem revendias na cooperativa e depois no armazém.

Fomentou em muito todo o comércio com a sua intermediação de compra e venda de produtos, especialmente de toda, absolutamente toda a parte sul da hoje cidade de Gramado.

Mas não se dedicou apenas a isso.  Em 1940 doou o terreno onde foi construída a primeira escola municipal da localidade, hoje Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Caramuru.

Foi ainda, por 16 anos, capataz das estradas municipais e, durante 14 anos, chefe de quarteirão do 5° Distrito de Taquara/RS, pois à época Gramado ainda pertencia ao Município de Taquara/RS.

Um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro em Gramado. Foi eleito Vereador em 1955 para a Legislatura Provisória da 1° Câmara Municipal de Gramado. No mesmo período, foi eleito Vice-Presidente da Casa.  Defendeu a construção e conservação das estradas no interior do Município e lutou muito, já naquela época, pelos direitos e por melhores condições de vida aos agricultores, que na época, representavam a grande maioria da população do Município.

Veio a falecer no dia 7 de outubro de 1965, com 73 anos, no Hospital Arcanjo São Miguel, deixando plantada a sua colaboração para o desenvolvimento de Gramado e região.