Carta aberta à Renato Portaluppi

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Renato,

meu ídolo, meu irmão.

Posso te chamar assim, né? Afinal depois de todos esses anos me sinto muito próximo de ti. Desde que eu nasci, Renato, me falam de um rapaz de Guaporé que chegou ao Grêmio e mudou tudo que se sabia sobre o Tricolor de Porto Alegre. Conheço gente que tem cachorro, papagaio, travesseiro, sala de estar e objetos de estima apelidados carinhosamente de “Portaluppi”. Tu sabes de tudo isso, não precisa que esse desconhecido aqui repita. Sabes bem que és o maior ídolo da história de um clube de milhões de torcedores. És o homem que marcou dois gols e nos fez campeões do mundo.

Renato, eu não quero mais que tu sejas um ídolo. Vou explicar a razão.

Nessa última década, sofri exatamente as mesmas coisas que tu. Sei como foi sentir tudo isso. Era 2010 e o Grêmio vivia o inferno astral dos anos dourados colorados. Estávamos na zona de rebaixamento do Brasileiro e alguém sugeriu: “Portaluppi!”, para treinar o Grêmio. Tu foste homem, como sempre, e não teve medo de vir. Foste um herói, como sempre, e nos colocou numa inesperada Libertadores.

Esses dias eu analisava o time que te deram para tentar ser tri da América. A vida de treinador deve ser um desgaste…

Quando foi anunciada a tua saída, no ano seguinte, eu chorei, Renato. Eu não sabia se meu maior ídolo voltaria e sofri por isso.

Em 2013, voltava Portaluppi. “Agora vai”, pensei. “Vai” porque eu sei o quanto tu mereces ser campeão pelo Grêmio. O que conseguimos foi um vice Brasileiro e de repente acabava o ano, teu contrato e a minha esperança.

Renato, dessa vez eu chorei mais, pois não acreditei que tu voltarias.

“Que droga de mundo injusto!”, era o que eu pensava.

Aí os anos passam de novo, as tempestades regressam e de repente anunciam que o salvador poderia voltar. 2016, Renato Portaluppi, pela terceira vez. Talvez a última? Roí as unhas e rezei para todos os santos. Te ter conosco eu sei que sempre é por breves tempos. Viver num hotel não é a tua praia, eu respeito tua forma de pensar.

Renato, aquele título de Copa do Brasil foi um dos melhores momentos da minha vida. Eu comemorei com muita intensidade, pois nós merecíamos. Eu, um mero torcedor mortal e tu, um ídolo imortal. Mas lembra que eu falei que não quero mais que tu sejas “apenas” um ídolo?

Pois veio 2017 e tu, que não precisou estudar na Europa, botou o Grêmio a ser o melhor time do Brasil. E essa campanha linda está prestes a culminar no nosso terceiro título de Libertadores.

Tu acreditas em destino, Renato? Eu acredito. Sei que vamos ganhar, pelas tuas mãos. E tu vais ser o primeiro homem por essas bandas a vencer o título mais importante do continente como jogador e como treinador.

E aí tua idolatria termina, Renato.

Aí tu vira Deus. O Deus Gremista.

Porém, independente de qualquer coisa, pra mim tu já és o maior de todos. Por isso te chamei de amigo no início desse texto. Me sinto próximo de ti. Como se tu tivesse em todos os lugares, sempre que visto uma camisa do Grêmio.

Obrigado, Renato.