Carnaval Gramadense , 96 anos de história

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Carnaval de 1930 em um baile no Hotel Bertolucci. Foto: Arquivo Iraci Casagrande.


Pessoas de vários países conhecem Gramado pelos seus belos e grandes eventos. Mas nem todas sabem, que há 96 anos, o som dos tamborins e pandeiros agitam a comunidade gramadense e aqueles que aqui se sentem acolhidos para curtir uma das festas brasileiras mais famosas no mundo.

O carnaval de Gramado, diferente de muitas cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil, ainda conserva os bailes nos clubes da cidade. O Clube Minuano e a Sociedade Recreio Gramadense são todos enfeitados com motivos carnavalescos para receber os foliões. Integrantes dos blocos se fantasiam e os bailes, como antigamente, são embalados por bandas musicais.

A Sociedade Recreio Gramadense terá baile infantil e baile para adultos neste sábado, dia 10 de fevereiro. Foto: internet.
No Clube Minuano os bailes acontecem na sexta (09) e na segunda-feira (11). Foto: internet.

Quase 100 anos de folia

Em meados de 1922, ainda distrito de Taquara, Gramado realizava seu primeiro baile de carnaval, um acontecimento para a época. A Sociedade Recreio Gramadense foi o palco dessas festas até a sua primeira reforma, em 1950.

À tarde, na avenida Borges de Medeiros, haviam grandes desfiles para a comunidade, onde uma bandinha local puxava um cortejo de foliões fantasiados, e estes, em cima de carretas com tração por cavalos, delicadamente enfeitadas com tecidos e serpentinas, sendo que, a carreta principal, conduzia a Rainha do Carnaval previamente escolhida.

Foto: Arquivo Iraci Casagrande.

À noite, a partir das 20 horas, começava o baile na Sociedade Recreio, que por tradição era obrigatório o uso de máscaras, para criar aquele suspense até a meia noite, quando então os foliões, se revelavam e as surpresas aconteciam.

Zaira Bertolucci com a fantasia “A cigana” em 1922. Foto: Arquivo Iraci Casagrande.

Em torno do ano de 1936 surgiram os primeiros blocos carnavalescos ou “cordões” de amigos que igualmente se fantasiavam e apresentavam-se nos salões com o acompanhamento da Banda do Zé Pereira, muito tradicional na época.

Os primeiros blocos que surgiram eram formados, a maioria por mulheres. Os Retraídos, depois As Guaratibas, Flor Vienense, As Camponesas.

Na época, todos os integrantes tinham que estar obrigatoriamente fantasiados e ainda, e as brincadeiras, como batalhas de confetes e serpentinas animavam os bailes. Contam os saudosistas, que naquele tempo, não havia ingestão de bebidas alcoólicas.

Bloco “Sonho Azul” formado em 1937 por jovens gramadenses. Foto: Arquivo Iraci Casagrande.

1950 surgem os blocos

Em 1950, surgiu o bloco Os Malandros, onde uma turma de solteiros vestiam camisas com listras verticais que para a época era novidade.

Por volta de 1955, lembram os saudosistas, que houve também bailes de carnaval no conhecido Gramado Parque Hotel.

Em junho de 1958, foi inaugurado o Clube Minuano, que também passou a integrar definitivamente o Carnaval de Gramado. Nesta época também acontecia o carnaval infantil, que desde 1950 acompanha o carnaval adulto. O concurso de fantasia sempre foi o ponto alto das festas da criançada.

Anos 60

No início dos anos 60, outros grupos de amigos, passaram a frequentar as festas momescas. E assim a própria fantasia é que dava o nome ao cordão.

Iraci Casagrande nos anos 60, em um baile na Sociedade Recreio, a fantasia era de Índia Gramadense. Foto: Arquivo Iraci Casagrande.

As Gregas, Os Tiranos, Cavaleiros do Rei Artur, Os Mascarados, Mambo, Espantalhos, Malandros do Frevo, Nega Maluca, são alguns dos blocos lembrados pelos saudosistas.

O bloco mais tradicional e antigo de Gramado, “Velinhos Transviados”, surge em 1965. No início o nome do bloco era a forma como eles se fantasiavam, finalizando com a palavra transviados. Assim, tiveram vários nomes: Os “Verdugos Transviados”, os “Mexicanos Transviados”, os “Chineses Transviados”, os “Palhaços Transviados”, até chegar a denominação atual, sempre formado por casais.

Bloco “Velhinhos Transviados” fantasiados de ciganos. Foto: Arquivo Iraci Casagrande.

Nessa época os blocos eram conduzidos por suas próprias baterias, alternando suas apresentações na Sociedade Recreio e no Clube Minuano, somente aos sábados, segunda e terças-feiras, sendo o domingo o dia de descanso, que mais tarde foi incorporado a folia, assim como a sexta-feira.

Nos anos 60 também surgia o bloco carnavalesco “Os Monarcas” do Ritmo e por 12 anos marcaram época no carnaval da cidade. O bloco “Pra que Dinheiro” fazia jus ao nome e se destacou pela simples confecção das fantasias.

Anos 70

No início dos anos 70, o bloco do “Jegra” surgiu através de um time de futebol de salão de Gramado. Mais tarde, em 1973, também oriundo de um time, o Nacional, surge então o bloco “Diz Meu Cafezinho”. Um grupo de amigos e foliões resolveu montar um bloco e o nome deve-se a uma homenagem aos “filadores” de cafezinho no antigo Bar & Café Cacique.

Ainda nos anos 70, em 1979, o “Quis Um Gole”, até 1991 formado só por homens e muitas histórias para contar. No ano seguinte, no “Casamento do Quis Um Gole”, as mulheres também passaram a fazer parte do bloco. Em 2004, contou na ala de comissão de frente com a nossa Miss Brasil, Fabiane Niclotti.

Anos 80

Em 1980 surgiu o bloco “Os Provetas” que ensaiavam no antigo Hotel Sperb. Quatro anos depois, em 1984, uma turma de amigas, resolveu participar do carnaval e então fundaram o bloco, “As Coelhinhas”.

Outros bailes também aconteceram na metade dos anos 80 no Gramado Tênis Clube, onde é claro, as festas terminavam na piscina.

Nos ano de 1987 e 1988, o Hotel Serrano foi o palco do carnaval gramadense, regadas à chopp e champagne. As festas contaram com a presença de famosos como o craque Falcão, a musa Luma de Oliveira, Leila Bittencourt, Miss Beleza Internacional, Marta Rocha, Miss Brasil, Claúdia Magno, atriz Global, e a modelo Magda Cotroffe.

Anos 90 

Uma turma de amigos do bairro floresta decidiu forma o bloco carnavalesco “Quereu Bebeu”, em 1990. Em 1991 o bloco “Os Bundinhas” foi formado por um grupo do centro. Pouco mais tarde, em 1994, incentivados por amigos, familiares e carnavalescos experientes, surgiu o bloco 100 Juízo, que se destaca principalmente pelo som da bateria e criatividade de suas fantasias.

Devido a grande harmonia entre atletas e sambistas, formou-se em 1998, oriundo do Clube Democrático Retranca, de futebol, o “Sopranois”. No final dos anos 90, houve baile de carnaval na Sociedade Independente, da Serra Grande,

Anos 2000

Em 2004, formado por integrantes de outros blocos, iniciou o “Discafeinados”. Ainda em 2004, mais precisamente no mês de março, foi fundada a Associação dos Blocos Carnavalescos de Gramado – ABC, que visa principalmente o fortalecimento dos blocos e do carnaval da cidade.

Também no ano de 2004, aconteceu a 10ª edição do Carnaval de Inverno de Gramado. Idealizado em 1982, seguiu até 1985 e retornou em 1999, transformando-se em mais um atrativo para o inverno gramadense.

Surge o Gramado Fantasia

Com sua primeira edição em 1997, talvez duas mil pessoas contemplavam o desfile de fantasias campeãs de Porto Alegre, apresentação de escolas de samba, juntamente, com os blocos de Gramado e ainda com a Rainha e o Rei Momo.

De uns anos para cá, pode-se dizer que cinco, seis, sete e até oito mil pessoas participam da festa que atualmente acontece no ExpoGramado. Além dos bailes adulto e infantil promovidos pelos clubes da cidade, a Prefeitura promove um baile onde os blocos burlescos, gramadenses e turistas fazem a festa.

Baile promovido pela Prefeitura, na ExpoGramado. Foto: internet.