Banda Marcial Senador Salgado Filho: Há 21 anos integrando os jovens

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A banda da Escola Senador Salgado Filho possui 84 integrantes. Foto: Vinicius Cavalin.


Desenvolver a concentração, integração e capacidade psicomotora são alguns dos benefícios que os integrantes que tocam nas bandas marciais podem vir a desenvolver, segundo Mariluse Mella, Diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Senador Salgado Filho. Com instrumentos de sopro, a Banda da escola que começou a se formar no ano de 1997, primeiramente foi regida por Rogerio Heurich e desde 2003, o regente Rodrigo Drechsler, está a frente da Banda.

Com 84 integrantes, a Banda recebe recursos da secretaria de educação, mas de acordo com o Regente Rodrigo, quem ajuda a move-la são os alunos, que além de incentivar os mais novos, mantêm a integração e união dos integrantes. “Se não fosse o coletivo trabalhando em forma de família eles não estariam juntos, tudo faz com que cheguem ao propósito que é o aprendizado para todos. Temos um repertório de mais de 70 músicas e eles tocam tudo de cor. O lema é que todo mundo tem que se ajudar e isso vem funcionando muito bem, tanto que sempre somos bem vistos”, explica Drechsler.

Além dos alunos e recursos do município, a Banda da Escola Senador Salgado Filho também recebe ajuda do Círculo de Pais e Mestres – CPM que atua juntamente com a diretora Mariluse. É com a ajuda destas pessoas que os uniformes são mantidos, como também a sala onde acontece os ensaios, que este ano foi reformada.

Quem pode participar da Banda?

De acordo com a Diretora Mariluse Mella, a Banda Marcial é um projeto voltado para os alunos da escola. Normalmente o aluno ingressa no 6º ano aprendendo coordenação motora, ritmo e trabalho em conjunto. Na sequência dos anos, o aluno vai se aprofundando na musicalização, assim interpretando músicas em instrumentos percussivos (bumbo, caixa tenor, caixa clara, surdo, pratos e liras.) e em instrumentos melódicos de sopro (saxofone alto, saxofone tenor, trompete, eufônio e tuba).

“A participação dos alunos que têm interesse pela música é muito importante, além de uma questão cultural proporciona outros aprendizados socioeducativos. Dessa forma o aluno segue sua adolescência e se torna um adulto muito mais confiante e preparado para enfrentar o dia a dia”, coloca.

Tanto Mariluse, como Rodrigo destacam que uma das dificuldades que encontram atualmente é fazer com que os alunos estudem música diariamente. “Como se trata de uma oficina optativa para o turno oposto, o aluno deve ser muito motivado para estudar e aprender de forma eficaz. Muitas vezes a família não valoriza esta atividade e o aluno(a) fica desmotivado ou desacreditado em seu potencial. Neste caso, o professor e o próprio grupo incentivam para que o mesmo reconheça sua capacidade musical”.

“Antigamente o adolescente tinha menos atrativos, então ele se concentrava mais nas questões escolares, com tudo o que os rodeia hoje em dia o incentivo tem que ser maior. O projeto tem que ter um complemento para que funcione certinho. Porém, em Gramado vemos as bandas funcionarem, somos dois regentes concursados, regemos, cada um, 5 bandas municipais. Tentamos motivar o máximo que podemos”, complementa Rodrigo.

Ele também levanta que o maior objetivo deles é convencer a comunidade da importância da Banda e também fazer com que os integrantes cresçam e continuem estudando para manter o estudo da musicalização. Pensa, que assim as gerações vão se renovando dentro do projeto. “Olha o orgulho do pai que traz o seu filho e o seu filho que vê os passos que o pai trilhou”.

Para a Diretora da escola, o que os faz manter a Banda é a força de vontade de levar a música para todos os cantos do município e Estado. “A realização de ver nos olhos do aluno a felicidade de interpretar um instrumento musical para uma plateia, ver e saber diferenciar a boa música. Usar o conhecimento adquirido com a música no seu dia a dia”, justifica Mariluse.

“É diferente quando várias pessoas fazem tudo dar certo”, diz Gisele Pires

Gisele com o filho Léo Pires e o Sobrinho Cristian Pires no dia do desfile. Foto: Arquivo Pessoal.

Com 26 anos, Gisele Pires, mesmo não estudando mais na Escola ainda faz parte da Banda Marcial Senador Salgado Filho. Ela conta que com cerca de 12 anos fez sua primeira apresentação oficial, começou tocando caixa e mais tarde passou a gostar de tocar tarol, hoje é líder do pelotão de liras. “No último ano do ensino fundamental o Rodrigo me convidou para tocar na Banda do Senador, eu me identificava e gostava dos ensaios”, lembra.

Ela conta que uma das coisas que a faz continuar na é o clima agradável e que gosta de servir de motivação para as crianças, como também ver o impacto que geram nas apresentações. “Tenho 26 anos, tenho um filho com seis anos que esta me acompanhando nos ensaios. Este ano ele participou do desfile”, conta Gisele.

Na opinião dela, as bandas marciais poderiam receber mais incentivo. “Acredito que são projetos maravilhosos, que poderiam ter mais incentivo, é um projeto que ocupa muito tempo, principalmente a parte melódica, por isso deveria ser mais incentivado”. Ela relata que fazer parte do projeto faz com que não fiquem tanto tempo em frente a computadores e que tocar mexe com o raciocínio, memória, desenvolvimento e a coordenação.

“Viemos nos esforçando cada vez mais para fazer um desfile bonito para comunidade. Nem sempre fizemos desfiles aqui, mas gostamos de nos apresentar aqui porque somos daqui, temos um carinho especial pelas pessoas”, frisa a líder Gisele Pires.

Este ano, o desfile cívico em Gramado contou com 13 bandas marciais que abrilhantaram a manhã dos gramadenses e turistas que lotaram o local onde aconteceu a marcha. Pode-se notar um grande engajamento dos integrantes das escolas, alunos, professores, diretores e da comunidade, que mostrou que aprecia muito os desfiles e as bandas.