Agricultora

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Achei a sobrevivência
com o que há de mais sagrado

a natureza, meu chão meu sustento
infinita
como poderia eu existir em tal profundidade?

poderia me dissolver em si
e como poderia
por amor, por loucura
contudo
sei que lhe é reinado
a própria evolução

sendo sua
ora
só posso florescer
como a laranjeira ama o Criador
em mudo aroma

e você
invenção do viver
separa e religa no infinito
uma parcela
me estende a mão e a ponho grata em meu pensar

que eu não tire nem mais nem menos
me acorda, me mexe
em segredo admiro
e trabalho em devaneio

sem lamento, sem exaltar
lhe honro como o dia a dia
intensa e sempre
nas entrelinhas

não sou mais nômade
você é o meu lugar