“Agradeço a Deus pela oportunidade de crescer e aprender com ela”, relata a mãe de Larissa

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Larissa foi diagnosticada com TEA com 2 anos de idade. Foto: Jossiane Facchin.


Em 18 de dezembro de 2007, a ONU – Organização das Nações Unidas, estabeleceu todo o dia 2 de abril como o Dia Mundial do Autismo. De acordo com a neuropsicopedagoga Sirlei Kautzmann o Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio psiquiátrico que costuma comprometer a interação social (capacidade de comunicação), e cognitiva (conhecimento) do indivíduo. Os sintomas aparecem já nos primeiros meses de vida, ficando com mais evidência até os três anos de idade.

Os pais ou responsáveis devem ficar atentos quando a criança não atingir alguns marcos da linguagem: Balbuciar aos 12 meses; Gesticular (apontar, dar tchau) aos 12 meses; Dizer palavras soltas antes dos 16 meses; Dizer frases espontâneas de duas palavras aos 24 meses; Perder qualquer habilidade social ou de linguagem em qualquer idade; Na hora da mamada não fixar e nem olhar nos olhos da mãe.

“Algumas crianças, apesar de portar o TEA apresentam inteligência e fala intactas, outras mostram sérios problemas no desenvolvimento da linguagem e na interação social, mas varia de indivíduo para indivíduo e também depende do grau que cada um apresenta que pode ser leve, moderado e grave. A melhor forma de convivência (ou tratamento) é promover-lhes um ambiente harmonioso, estável, seguro e também muita estimulação”, explica Sirlei.

Apesar dos vários estudos sobre as causas, ainda não se descobriu a origem da síndrome. Na adolescência e na vida adulta, as manifestações do TEA vão depender de como o portador consegue aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favorecem sua independência. “Alguns são capazes de se formar e ter sucesso na carreira profissional, mas é variável, vai depender do grau do que cada um apresenta, do diagnóstico precoce, do ambiente em que vive dos estímulos que recebe, entre outros”, frisa a especialista.

A pedagoga também destaca que o portador desse transtorno está segurado por lei para frequentar a escola regular: “A Lei 93.94, art. 58º” que, “Entende-se por Educação Especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para Educados portadores de Necessidades Especiais”. Haverá quando necessário serviço de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades dos portadores de Necessidades especiais.

O portador do Espectro Autista tem também o direito garantido por lei, de um monitor que o acompanhe enquanto permanecer na escola. “A Lei Nº 12.764’, que institui a Política Nacional de Proteção com Transtorno do Espectro Autista”.

Assim, Sirlei levanta que diante destas oportunidades o portador do TEA deve procurar os seus direitos como estudar, trabalhar e na medida do possível levar uma vida normal dentro das suas habilidades, com respeito e dignidade.

A mãe conta como recebeu o disgnóstico

Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, em 2017, existia um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa maneira, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas.

Larissa Facchin Colombo tem 3 anos e 8 meses e foi diagnosticada com autismo aos 2 anos de idade. A mãe de Larissa, Jossiane Facchin relata como ela e o pai da menina, Rafael Colombo, receberam a notícia do diagnóstico e a maneira como eles aprenderam a lidar com a situação.

Hoje, com o tratamento, Larissa é uma menina feliz e carinhosa. Foto: Jossiane Facchin.

“Minha filha, desde bebê, sempre foi uma criança tranquila, dormia bem, receptiva quando a pegavam no colo, fazia contato visual, mas quase não sorria. Quando ela tinha um ano e meio, notamos que ela ficava mais em frente à Tv, não retribuía nossos carinhos, e ao chamá-la não olhava mais. Era como se não tivéssemos chamado, ela continuava o que ela estava fazendo. Pensamos que ela poderia estar com um problema na audição, e na época ela estava com uma otite média. Tratamos e a partir daí a Larissa começou a atender o nosso chamado apenas quando a interessava. Mas mesmo assim estranhávamos alguns comportamentos. Enquanto algumas amigas diziam que tinham que sair escondidas para trabalhar, porque seus filhos queriam ir junto e choravam, eu e meu marido quando saíamos para ela nem levantava a cabeça ou ia na nossa direção. Quando chegávamos em casa era igual. Na época, fomos consultar com um especialista em Porto Alegre que fechou o diagnóstico dentro do espectro autista. Larissa já tinha dois anos e frequentava a escolinha, mas ficava mais isolada, sem querer qualquer aproximação com os colegas e não falava. Receber o diagnóstico de autismo foi um choque para nós. Eu e meu marido choramos muito, tivemos muito medo, questionamentos surgiam, tais como: será que ela vai falar, ser independente. O grau da Larissa é considerado leve, graças ao diagnóstico precoce e tratamentos os resultados começaram a aparecer. Hoje, por exemplo, ela atende quando chamamos. Ao chegar em casa, ela ouve o barulho da chave na porta e corre sorridente para nos dar um abraço, a interação com os colegas começou a surgir, ela fala várias palavras corretamente, sabe se expressar quando quer algo e na maioria das vezes vai sozinha pegar o que quer. É uma menina muito sorridente, gosta de festas de aniversário, adora música e é muito feliz. Quero destacar a importância do diagnóstico precoce, quanto antes detectado melhores e mais rápidos serão os resultados. Aos pais ou familiares que perceberam mudanças, procurem o quanto antes o tratamento. A minha filha tem pessoas muito importantes no tratamento dela, que abraçaram a causa, ótimos profissionais, uma professora maravilhosa, que ensina e estimula a Larissa. Agradeço sempre o amor e dedicação deles! Me sinto muito feliz e orgulhosa da filha maravilhosa que tenho. Agradeço à Deus todos os dias pela oportunidade de crescer e aprender com ela, pois damos mais valor as coisas simples do dia a dia, cada conquista dela é comemorada com muita alegria. A Larissa é o amor da minha vida”.

Larissa é irmã de Gustavo Martins Colombo, 5 anos. Foto: Jossiane Facchin.
Larissa é filha de Rafael Colombo. Foto: Jossiane Facchin.

 

AMA Região das Hortênsias (Associação dos Pais e Amigos do Autista)

Em maio de 2017,  um grupo de pais,  amigos e profissionais ligados a crianças, adolescentes e adultos autistas dos municípios de Gramado e Canela, organizaram um encontro na Câmara de Vereadores de Canela, trazendo representantes do Instituto Autismo e Vida para esclarecimentos sobre a fundação de uma associação. A presidente Angela Maria Perotto conta que na oportunidade houve um número significativo de pessoas interessadas na questão, inclusive vereadores e secretários, os quais participaram da reunião fazendo colocações importantes para então, dar prosseguimento ao desejado. Após esse encontro deu-se inicio a tantos outros na intenção de legalizar a Associação. “Ressalto que a documentação está em processo de reconhecimento legal e no momento apenas ações de divulgação da causa estão sendo feitas pela equipe. Não temos nenhum atendimento direcionado ao público referido”, frisa a presidente.

Missão da AMA

A Associação tem como missão social promover, na medida do possível, o bem-estar às pessoas incluídas no quadro do Transtorno do Espectro Autista, disseminando informação e apoiando a produção de conhecimento,  e desta forma tende a proporcionar a pais, parentes, cuidadores, profissionais, educadores e sociedade em geral alternativas para a conquista de maior autonomia, independência funcional e qualidade de vida destas pessoas. Defende que a plena participação das pessoas com Transtorno do Espectro Autista na sociedade, resultará na elevação de sua personalidade e na formação de seu caráter.

O Sonho

A associação tem como meta primordial a criação de um Centro de Atendimento Integral as pessoas enquadradas no TEA (Transtorno do Espectro Autista), porém há um longo caminho a ser percorrido neste sentido. Hoje há uma necessidade urgente de atendimento na área da fonoaudiologia.

“Objetiva promover a formação cultural e científica de seus membros no que se refere a tratamentos medicinais, processos educacionais, preparação para o trabalho e métodos de abordagem, a fim de alcançar maior amplitude possível, buscando atingir, nesse ponto, status como Centro de Referência. Promover cursos, conferências, seminários e reuniões técnico-científicas, a fim de fomentar e difundir o conhecimento produzido na área do espectro autista típico o entendimento das condições das pessoas incluídas no espectro por parte da sociedade em geral, a fim de ampliar a conscientização, aceitação, tolerância, inclusão e não-discriminação. Promover debates e discussões que conduzam a sociedade e o Poder Público a, respectivamente, sugerir e implementar ações, leis e adequação de posturas que resultem na melhoria da qualidade de vida da pessoa com Transtorno do Espectro Autista”, explica Rosângela.

Programação da AMA:

No dia 08 de abril, às 14hs, a AMA está promovendo um Piquenique de Integração com famílias e amigos dos autistas de Canela e Gramado, no Parque do Saiqui, em Canela.