Agosto, o mês do “cachorro louco”

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Muitas pessoas já ouviram falar que o mês de agosto é o mês do “cachorro louco”. De acordo com algumas crenças durante o mês de agosto a concentração de cadelas no cio aumenta bastante devido às condições climáticas. E quando as cadelas estão no período fértil, os cachorros ficam “loucos” e brigam para conquistar a fêmea. É dessa forma que muitas pessoas são alertadas sobre o perigo que a raiva representa para a saúde da população.

Embora o contágio possa acontecer durante todo o ano, é neste período que ocorre uma grande concentração de cadelas no cio, onde o aumento de luminosidade ativa sexualmente todos os mamíferos. A infecção ocorre por ferimento provocado por mordedura de um animal contaminado e ataca o cérebro, podendo levar à morte.

Sobre a doença

De acordo com a médica veterinária Fabiane Pedone, do Pet Shop Bichos da Serra, a raiva canina é uma das principais zoonoses conhecidas. É uma doença viral infecciosa aguda que acomete mamíferos (inclusive o homem) e se propaga através dos nervos periféricos até atingir o sistema nervoso central e glândulas salivares, onde o vírus RNA, pertencente à família rhabdoviridae, gênero Lyssavirus (agente etiológico), se multiplica.

“A raiva ainda é considerada um sério problema de saúde pública, por apresentar um prognóstico fatal em quase 100% dos casos.De acordo com a OPS/OMS (2007) o principal reservatório e transmissor da raiva para humanos é o cão, devido a proximidade entre as duas espécies. Dessa forma, o controle da raiva humana se faz através do controle da raiva canina e felina, principalmente por meio de vacinação e controle populacional de cães e gatos”, explica a veterinária.

Transmissão 

A forma mais comum de transmissão da raiva é através do contato com a saliva do animal raivoso, através de mordeduras e arranhaduras.O vírus da raiva pode infectar todos os mamíferos, provocando a morte em quase todos os casos.

No Brasil, o morcego é o principal responsável pela raiva continuar se propagando pela cadeia silvestre, no entanto a doença é considerada erradicada nos principais centros urbanos e portanto extremamente rara. Os cachorros, em regiões isoladas, continuam sendo transmissores da doença. Outros transmissores de raiva silvestre são: o cachorro-do-mato, o gato-do-mato, a raposa, o guaxinim mão-pelada, entre outros.

Fabiane lembra que a raiva também pode ser transmitida, embora mais raramente, por via respiratória, sexual e de mãe para filho. Também existem relatos de transmissão por via digestiva em animais.

Sintomas

A Médica Veterinária, do Pet Shop Bichos da Serra relata que os sintomas no ser humano são inespecíficos caracterizados por cefaléia, febre baixa, mal-estar, anorexia, náusea e dor de garganta. Além disso, na maioria dos casos há alteração de sensibilidade no local da mordida. “Em seguida, ocorre o comprometimento do sistema nervoso central, caracterizados inicialmente por ansiedade, inquietude, desorientação, alucinações, comportamento bizarro e até convulsões”, complementa ela.

Nos cães, Fabiane explica que a sintomatologia clínica pode ser apresentada de três formas: raiva furiosa, raiva paralítica e raiva silenciosa.
A raiva furiosa é caracterizada por inquietação, agressividade do animal, podendo atacar outros animais, o homem ou qualquer coisa que se movimente, anorexia, dificuldade de deglutir, coma e morte.
Na forma paralítica, ao contrário da furiosa, o cão tende a se isolar e se esconder em locais escuros. Apresenta paralisia de patas traseiras, que progride e o leva à morte. A duração da doença é de 3 a 7 dias.
Raiva silenciosa ocorrem sinais indefinidos da doença, o animal se isola e vem a óbito sem diagnóstico clínico.

Tratamento

Fabiane alerta que uma vez instalada, a doença não há tratamento específico, e a letalidade é de 100%. “A melhor maneira de não contrair a doença é a vacinação anual contra raiva. Existem campanhas realizadas no mês de agosto, porém a vacina está disponível durante todo o ano”, salienta a veterinária.

Para quem tiver interesse, o Pet Shop Bichos da Serra possui dois tipos de vacina a venda, como também profissionais para realizar a vacinação. O Bichos da Serra fica localizado na Rua Emílio Leobet, 1783, em Gramado. O número para contato é (54) 32952300.