Agosto Dourado: Talita Drecksler destaca a importância da rede de apoio durante a amamentação

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A gramadense Talita Drecksler e os gêmeos Arthur e Nina. Foto: Tainá Crisóstomo.

Nascida em Gramado, Talita Drecksler Beux, 37 anos, é mãe dos gêmeos Nina e Arthur, de 5 anos e meio. A nutricionista materno-infantil, antes de ser mãe, já adotava uma posição a favor do aleitamento materno e após nascerem os gêmeos, viu o quão necessário é ter um auxílio devidamente preparado neste momento que traz tantos benefícios para o bebê. Para conseguir amamentar a Nina e o Arthur, a gramadense contou com os familiares, que na opinião dela, foram fundamentais nesta fase. Semelhante a maioria das mães, Talita também teve dificuldades, principalmente nas primeiras semanas de nascimento dos gêmeos, mas relata nesta entrevista como conseguiu persistir diante dos desafios e angústias que acompanham uma mãe neste momento.

GN: Como surgiu o interesse por defender o aleitamento materno?

Talita – Surgiu primeiramente pela minha profissão, antes de ser mãe. Por saber e entender as evidências científicas que associam o aleitamento materno com inúmeros benefícios para o bebê e para a mãe. Depois da experiência de amamentar, vi na pele o despreparo que há em auxiliar a mulher que amamenta, o quanto uma frase dita despretensiosamente pode minar a confiança desta mãe (gerando um estresse que realmente atrapalha a produção de leite), quão rápida vem a recomendação de iniciar com o leite artificial, tanto pelos profissionais quanto pelos familiares. E então, foi impossível não me envolver.

GN: Quando descobriu que seria mãe de gêmeos, quais foram teus pensamentos iniciais em relação a amamentação?

Talita – Eu sempre desejei muito amamentar! A partir do momento que caiu a ficha que seriam dois bebês, acabei adotando uma postura de que iria fazer o máximo possível tanto para o parto quanto para a amamentação, mas sem criar expectativas em excesso, especialmente por pensar em uma possível prematuridade. Busquei informações e experiências, mas teve um momento em que eu parei de pensar muito no assunto e quis deixar eles chegarem para ver o que ia acontecer.

GN: Assim que nasceram, quais foram os desafios para amamentar?

Talita – Eles nasceram prematuros (1 mês antes do previsto). Não pude ficar com eles logo que nasceram, não teve a hora dourada. Nina acabou indo para a UTI e eu só amamentei ela quase 24h após nascer, mas ela logo mamou bem. Arthur não precisou UTI, mas ele demorou mais para conseguir mamar, ficava muito cansado, não mamava o suficiente. Acabaram ambos recebendo leite artificial nestes primeiros dias para complementar à amamentação. Ali fiquei com muito receio de desistirem do peito. Quando fomos para casa, continuei muito preocupada que recuperassem o peso, e essa recuperação foi mais lenta. Passava quase o dia inteiro tentando amamentar, o primeiro mês não foi nada fácil, chorei bastante por achar que não estava dando certo.

GN: Em algum momento tu pensou em desistir?

Talita – Não pensei em desistir! Mas achei que estava falhando em vários momentos.

GN: Da onde veio a força e a persistência?

Talita – Eu estava muito decepcionada com o parto, foi uma experiência ruim. Então foquei toda a minha energia em conseguir amamentar o máximo que conseguisse. E todos ao meu redor me deram muito apoio!

GN: Porque é importante uma rede de apoio? Por quem ela é formada e para que serve?

Talita – A rede de apoio foi o fator decisivo para ter dado certo! Eu pude focar minha energia toda em dar de mamar e cuidar deles, o resto todinho era suportado por meu esposo e meus pais, além dos meus sogros. Assim eu podia descansar um pouco, o que é essencial para ter leite. Além disso, ninguém nunca duvidou da minha capacidade de amamentar ou do potencial do leite materno. Todos sabiam que era o melhor para os bebês. Não havia comentários negativos sobre o tempo que eu estava amamentando, sobre o potencial nutritivo do leite materno, ou sugestões para dar fórmula. Isso foi realmente essencial!

A rede de apoio é formada preferencialmente por pessoas que sejam próximas à mãe e que à deixem confortável: o pai do bebê, as avós e os avôs, pessoas amigas que possam auxiliar (não com o bebê, mas com o bem estar da mãe)… seu papel é deixar a mãe confiante no seu potencial de amamentar, e cuidar dos afazeres da casa, para que ela possa se dedicar ao bebê e não se sobrecarregar com outras tarefas. Acho super importante que as pessoas que vão ser rede de apoio também se informem sobre o aleitamento materno, e como auxiliar a mãe neste início, que costuma ter mais dificuldades.

GN: Por quanto tempo os gêmeos foram amamentados?

Talita – Foram amamentados até os 4 anos e 1 mês.

GN: O que te marcou e quais foram os aprendizados durante esta fase da vida de vocês?

Talita – Ficará para sempre a memória deles mamando e segurando as mãos um do outro. Os olhares e carinhos no momento de amamentar. As posições engraçadas que acabavam fazendo para mamar quando maiores ( apelidamos de “Mamasutra”), as várias horas seguidas amamentando nos primeiros 2 meses, eu praticamente dormia naquela poltrona… De aprendizado: que não importa o tamanho do peito para dar conta de produzir leite na quantidade certa para seu filho, que leva pelo menos 2 semanas para a amamentação engrenar, que quase nenhum profissional da saúde sabe orientar as dificuldades da amamentação (e que por isso é muito importante ter um apoio de quem saiba).

GN: O que dirias para as mães que desejam amamentar os seus filhos e encontram dificuldade?

Talita – Que procurem uma Consultora de Amamentação, sem dúvidas! Já contatem uma para orientar ainda no Hospital, se possível, mesmo antes da dificuldade. Quanto mais segurança e apoio, mais rapidamente irá se estabelecer uma boa amamentação.

GN: Como a Talita saiu desta experiência?

Talita – Vitoriosa! Com muito orgulho desta etapa da minha vida. Alguns kg abaixo do meu peso, mas com sentimento de força indescritível. Com vontade de auxiliar as mulheres na sua amamentação, seja passando as informações nos meus canais de comunicação ou sendo parte da rede de apoio.