Admitiríamos

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“cara, sei que existe uma lacuna na nossa…”

“lacuna?! Jacques, é a coisa toda!
não dá pra culpar um homem, uma crença;
quem tem a concepção redentora por excelência
também é incapaz de me ouvir”

“cara, que viagem é essa?
de onde vem tudo isso?’

“aí, mesmo que eu diga com todas as letras, eu
não me faço entender”

“Beto, aconteceu alguma coisa hoje?
cê tá estranho”

“aconteceu, Bela, eu fiquei de saco cheio de tudo,
de bancar uma imagem
e ainda fui um escroto com a Maria Isis”

“ah, não, Beto!
como que você fez isso com a Maria Isis?
ela é um amor!”

“obrigado, Bela, por me entender tão bem”

“não, gente, peraí, escuta o cara direito”

“é, pô, e o que ele tá falando tem tudo a ver com a letra da música.
todos são prisioneiros, só que eles
não agem como se fosse
eles dão uma ideia que tá tudo bem.
o único momento que eles parecem admitir a prisão
é no quarto do mestre,
mas tentam matar a besta
como se não estivessem lá por conta própria”

“é,
exatamente isso!! e o mais bizarro
é que
eu tô
dançando também, sem parar.”