A Roupa do Rei

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então ninguém soube o que dizer.
nem a duende escritora.
se era pra ser estranho,
ou inconveniente,
Humberto tava no brilho, perfeito.
a duende não parecia incomodada,
ao contrário,
inclinava o corpo para frente
acusando seu vivo interesse
naquele cara de alma sangrenta.
ele precisava existir
incidir naquele momento.
se, de alguma forma,
as pessoas do jogo estavam orientadas a
trazerem o estranho à tona,
ele estava no fio da navalha
entre o incomum, o que é estrangeiro
ao mesmo tempo que habitava o lugar que
ocupava.
quem viveu naquela época,
no começo da década de 20,
sabe o quão confuso era falar de lugar
ou de presença.
era difícil até mesmo olhar nos olhos
sem ficassem vesgos,
desregulados que estavam por conta do tempo que passavam
olhando pra telas de todo tipo.
a sinceridade dele era extrema
apesar de não ser nada demais,
no fim das contas.
ela entendia o sentimento dele,
sem que pudesse explicar a quem lhe perguntasse
o que se tratava ali.
eles embaralhavam as ideias de um jeito a evitar
que elas formassem um grosso muro entre eles.
antes, as ideias
mal formavam panos, voando
na tentativa de fazer algum sentido,
como cortinas ao vento
então,
de relance,
eles se viram
profundamente